Escândalo das mensagens entre Vorcaro e Moraes dá gás às candidaturas de direita ao Senado e desinfla 'pauta positiva de Lula', diz analista
Escândalo entre Vorcaro e Moraes deve reforçar pessimismo e pode impulsionar direita no Senado, diz analista
As revelações sobre as trocas de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), devem consolidar um ambiente de pessimismo que pode influenciar as eleições de outubro. A avaliação é de Christopher Garman, diretor para as Américas da consultoria Eurasia Group, especializada em análise de risco político.
Segundo o analista, com esse pessimismo prevalecendo, a tentativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, de se beneficiar de uma pauta positiva no Congresso pode ser anulada. "Quando você é o governante, quer um ambiente em que possa vender o seu peixe, mostrar os programas. Quando um escândalo como esse domina as manchetes, reforça o ambiente de pessimismo, da visão do eleitor de que o país não está na direção correta", afirmou Garman.
O governo esperava que o Senado votasse, em esforço concentrado antes das eleições, propostas de grande apelo popular, como a PEC que estabelece o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, além da PEC que reorganiza o sistema de segurança pública. "Era uma semana que o governo queria alardear votações importantes no Senado e tudo agora está sendo dominado pelo escândalo", disse o diretor da Eurasia.
Apesar do cenário desfavorável ao governo, Garman avalia que o caso não deve ter força para mudar o quadro eleitoral. "Não é uma denúncia contra Lula. Então, não dá para colocar um peso exagerado nesse escândalo", ponderou. A consultoria mantém a avaliação de que Lula segue com ligeiro favoritismo, mas ressalta que segurança pública e corrupção são temas em que o presidente não tem credibilidade perante a opinião pública.
Para a eleição do Senado, no entanto, o analista afirma que o escândalo pode dar mais gás a candidaturas de direita, reforçando um sentimento anti-STF na disputa legislativa. "Ele pode dar mais gás para candidaturas à direita, e o perfil do Senado se tornar mais anti-Supremo", concluiu. A Casa é responsável por processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, e o impeachment de Moraes já é uma das principais pautas da oposição.
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