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Enquanto Lula falará de “soberania”, Trump deve abordar Irã e críticas à ONU na Assembleia Geral

Atualizado em 22/09/2026 às 10:35 schedule 3 min de leitura visibility 8 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump discursam nesta terça-feira (22) na abertura do debate de líderes de governo e Estado da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Por tradição, Brasil e Estados Unidos abrem a sequência de pronunciamentos, com o primeiro discurso previsto para as 10 horas (de Brasília). A expectativa é sobre o teor das falas dos dois presidentes.

Segundo informações de bastidores, Lula deve abordar o multilateralismo e a defesa da "soberania nacional", em um momento em que o governo americano lidera uma ofensiva contra organismos multilaterais — incluindo a própria ONU — e mira o Brasil com tarifas e cobranças por falhas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), designados por Washington como grupos terroristas. O governo americano também sinaliza com sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. As mesmas informações indicam que Lula não deve se referir diretamente a Trump no discurso. Outros temas previstos são os conflitos crescentes pelo mundo, o meio ambiente e a sustentabilidade.

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Deviem

"O Brasil gosta de ser visto no papel de um possível interlocutor para negociações de paz, então o discurso do Lula deve ter isto. Ele vai falar também, possivelmente, da possibilidade de uma mudança na estrutura das Nações Unidas para dar maior voz ao Sul Global, propondo uma nova estrutura da ONU que reflita a nova organização mundial", afirmou Maurício Fronzaglia, professor de relações internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, à Gazeta do Povo.

Trump, por sua vez, deve repetir as críticas à ONU feitas no pronunciamento de 2025, quando acusou a entidade de burocracia, aparelhamento ideológico e de não resolver grandes problemas mundiais. "Qual é o propósito das Nações Unidas? A ONU tem um potencial enorme. Tudo o que parece fazer é escrever uma carta em termos muito contundentes e, depois, nunca segui-la. São palavras vazias — e palavras vazias não resolvem guerras", disse o presidente americano na Assembleia Geral do ano passado. Analistas também projetam que o republicano deve falar sobre a guerra no Irã.

Para Natali Hoff, professora de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os discursos serão influenciados pelos processos eleitorais nos dois países — no caso americano, as midterms, eleições de meio de mandato previstas para novembro, quando estarão em jogo as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. A analista afirmou que Lula deve dar força ao discurso da soberania e da defesa das instituições democráticas, mas, diferentemente do ano passado, não deve trazer a defesa do STF. Sobre Trump, Hoff disse que ele deve fazer um pronunciamento voltado para a base interna e que, a princípio, não acredita que o Brasil seja citado diretamente, embora tenha alertado que o presidente americano "é muito reativo".

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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