Em 30 anos população de baleias-jubarte passou de 1,5 mil para 35 mil
O catamarã Pegasus I parte do cais de Caravelas (BA) ao nascer do sol rumo ao arquipélago dos Abrolhos, um dos principais redutos de biodiversidade marinha do Brasil. A travessia, prevista para cinco horas, costuma se estender: os passageiros não apenas navegam, mas "baleiam", seguindo o rastro das baleias-jubarte que todos os anos deixam a Antártida e viajam até Abrolhos para acasalar e parir.
A bordo, o primeiro sinal da presença dos animais é o borrifo — não um jato de água, mas a condensação do vapor da respiração quente ao encontrar o ar frio da superfície. Quando ele surge no horizonte, um observador alerta o grupo e todos aguardam um dorso ou um salto. A cauda, com desenho único em cada jubarte, funciona como impressão digital do animal.
A expedição integra o monitoramento do Instituto Baleia Jubarte, que cataloga os animais avistados e coleta amostras de pele e gordura para biópsia. Segundo o fotógrafo de vida selvagem Enrico Marcovaldi, que registra baleias em Abrolhos há quase 40 anos, a primeira estimativa populacional do projeto, no início da década de 90, apontava de 1,5 mil a 2 mil baleias. Hoje o instituto contabiliza mais de 35 mil, recorde registrado na última estimativa, de 2022.
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