Turismo de observação contribui para preservar baleias-jubarte
O turismo de observação de baleias-jubarte tem se consolidado como atividade econômica e ferramenta de preservação no litoral brasileiro. Em Caravelas, no sul da Bahia, o capitão Paulo Salomão acompanha essa transformação desde a infância: começou a sair para o mar com o pai aos 6 anos, no início da década de 1980, no distrito pesqueiro de Ponta de Areia, quando a pesca ainda era permitida na região do Arquipélago dos Abrolhos.
Com a criação do Parque Marinho dos Abrolhos, em 1983, e a implantação de regras ambientais nos anos seguintes, a pesca foi proibida na área do parque. Salomão passou então a viver dos peixes vivos, transportando turistas até Abrolhos e ensinando mergulho. Hoje ele tem quatro embarcações, entre elas uma de grande porte com camas para 50 pessoas, e emprega dez trabalhadores. Segundo ele, há cerca de dez anos o maior fluxo de visitantes passou a ocorrer em julho e agosto, e atualmente só agosto, o pico da temporada, supera os três meses de verão.
Abrolhos é a principal maternidade das jubartes no Brasil. Todos os anos, os animais percorrem cerca de 4 mil quilômetros desde a Antártica, onde se alimentam, até as águas mais quentes do arquipélago, onde acasalam e têm seus filhotes. O crescimento do turismo de observação só foi possível porque a população de baleias no país subiu de menos de 2 mil indivíduos no início da década de 1990 para cerca de 35 mil, conforme a última estimativa do Instituto Baleia Jubarte, de 2022. Três fatores foram centrais para esse aumento: a proibição da caça de baleias no país, decretada em 1987; a criação do Parque Marinho dos Abrolhos, que protege a área de reprodução; e o surgimento de grupos ambientalistas voltados à pesquisa e à preservação da espécie.
Para o diretor executivo do Instituto Baleia Jubarte, Eduardo Camargo, o turismo de observação agrega valor econômico à baleia viva e aponta um caminho de convivência com os animais sem interferir no ciclo de vida deles. Ele defende a regulação da atividade de forma que não prejudique as baleias nem ignore as pessoas que vivem da região, como uma forma de gerar renda limpa quando bem feita. A atuação no setor segue regras da Marinha e do Ministério do Meio Ambiente. Uma portaria publicada em agosto deste ano determina, por exemplo, distância mínima de 100 metros dos animais, permanência de no máximo 60 minutos próximos a eles — 30 minutos no caso de fêmeas com filhotes — e limite de duas embarcações aproximando-se ao mesmo tempo. É proibido por lei tentar tocar ou capturar os animais, persegui-los ou cercá-los.
O Instituto mantém centros de visitação em Caravelas, Praia do Forte, Itacaré, Vitória e Ilhabela, além de um ponto de observação recém-inaugurado em Porto Seguro, e oferece capacitação a trabalhadores do setor em parceria com municípios. Para o diretor de Pesquisa Milton Marcondes, conservar as jubartes vai além da beleza e da renda gerada pelo turismo: ao se alimentarem na Antártica e defecarem em águas brasileiras, elas liberam nutrientes que aumentam a produtividade de várias espécies, inclusive de peixes de interesse pesqueiro.
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