É possível comer ultraprocessados e se manter saudável? O que nutricionista diz sobre meu carrinho de compras
Os alimentos ultraprocessados estão associados a uma série de problemas de saúde, como obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e outros distúrbios metabólicos. Estudos também investigam possíveis ligações com problemas de saúde mental e maior risco de morte prematura. Ainda assim, especialistas em nutrição defendem que a presença desses produtos na dieta não torna automaticamente uma alimentação pouco saudável.
De forma geral, os ultraprocessados são produtos industriais que passam por várias etapas de processamento e costumam conter ingredientes e aditivos que não são normalmente usados em uma cozinha doméstica, como emulsificantes, aromatizantes, corantes e adoçantes. A classificação mais utilizada em pesquisas sobre o tema, conhecida como NOVA, não define um alimento como ultraprocessado apenas pelo número de ingredientes que ele contém. O que importa é a combinação entre o grau de processamento e o tipo de ingredientes e aditivos empregados na formulação.
Maeve Hanan, membro da Associação Britânica de Dietética, afirma que existe uma "histeria crescente" em torno dos ultraprocessados, alimentada por mensagens que tratam a comida de forma maniqueísta — "esta comida é boa, esta comida é ruim". Segundo ela, esse tipo de abordagem só alimenta o medo, e "medo em relação à comida nunca é bom". Ao analisar uma lista de compras semanal, Hanan concluiu que, embora houvesse ultraprocessados, o conjunto tinha "uma boa variedade de alimentos que abrangem todos os grupos alimentares".
A nutricionista explica que uma longa lista de ingredientes não torna um produto "inerentemente ruim", pois o valor nutricional é "muito mais importante". Ela cita o exemplo dos nuggets de frango: são uma boa fonte de proteína, mas têm mais gordura e sal do que um peito de frango simples, e por isso devem ser consumidos com moderação, dentro de uma dieta equilibrada. "Um único alimento não torna sua dieta saudável ou não saudável. O importante é encontrar esse equilíbrio ao longo do tempo", diz.
O tema, porém, não é consenso entre os cientistas. O autor e cientista de alimentos David Julian McClements afirma que a "ideia de alimento ultraprocessado não está muito bem definida" e que "focar no processamento é um pouco uma distração". Ele defende reformular os alimentos processados para torná-los mais saudáveis, em vez de eliminá-los. Já o médico Chris van Tulleken, que escreveu livros e produziu documentários sobre os possíveis efeitos prejudiciais desses alimentos, diz que eles são "quase impossíveis de evitar" — nem mesmo a dieta de sua própria família está livre deles.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar