'Disputa religiosa' em torno de Nossa Senhora Aparecida leva fake news de volta ao centro da eleição presidencial, destaca imprensa internacional
A disputa em torno de Nossa Senhora Aparecida, alimentada por notícias falsas nas redes sociais, voltou a colocar a desinformação no centro da campanha presidencial brasileira e ganhou destaque na imprensa internacional. Segundo reportagem da agência Bloomberg, uma "disputa religiosa desencadeada por notícias falsas" abriu um "novo e improvável campo de batalha" na última semana antes do pleito de 4 de outubro.
As postagens que circulam nas redes sociais associam o senador Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O candidato do PL desmentiu a intenção e afirmou, em vídeo, que a história é "uma grande mentira" e que não existe tal projeto, acusando o PT de explorar eleitoralmente o caso. O texto citado na controvérsia é o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Victório Galli, de Mato Grosso, cujo objetivo era substituir a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". A Câmara dos Deputados informa que a proposta foi arquivada em 2008.
De acordo com a Bloomberg, a desinformação se tornou característica recorrente das eleições brasileiras e, desta vez, a disputa em torno da padroeira "pode até estar afetando a corrida eleitoral". Pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (28/10) apontou avanço de três pontos percentuais de Lula entre eleitores católicos, de 44% para 47%, enquanto Flávio oscilou de 34% para 33% nesse grupo. No Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Lula aparece com 41% no primeiro turno, contra 36% do senador; na simulação de segundo turno, o presidente tem 45% e Flávio, 44%.
O jornal espanhol El País destacou que a "controvérsia alimentada pela esquerda" envolveu líderes da Igreja Católica e a Suprema Corte, em um cenário que "pode influenciar uma eleição extremamente acirrada". A reportagem menciona que perfis de esquerda compartilharam publicação original de um humorista e que Flávio disse, sem apresentar provas, que "gente de dentro" da CNBB articulou a disseminação da fake news. A agência italiana Ansa registrou que o vice-presidente da chapa de Lula, Geraldo Alckmin, gravou vídeo afirmando ter recebido mensagens de católicos preocupados com a direção do país.
A polêmica também opôs ministros do STF e do TSE. Na sexta-feira (25/9), André Mendonça, vice-presidente do TSE, determinou a remoção das publicações; no domingo (27/9), Flávio Dino derrubou a ordem; e, na noite de segunda-feira (28/9), Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu provisoriamente a determinação de Mendonça. A Bloomberg observou que "tudo isso acontece em um estado constitucionalmente laico".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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