Deputada mais votada de SP tem projetos copiados e com cidade errada
Projetos apresentados por Eduarda Campopiano (PL) enquanto ela era vereadora na Câmara Municipal de Praia Grande, no litoral paulista, reproduzem artigos e justificativas de propostas que já circulavam em outras casas legislativas. A constatação é de uma análise da BBC News Brasil, que comparou as versões originalmente apresentadas dos 20 projetos de lei da então vereadora com documentos de outras câmaras e assembleias.
Em ao menos 14 desses projetos foram identificadas correspondências textuais, que vão de artigos específicos a conjuntos extensos de dispositivos e justificativas. Em dois documentos, a adaptação manteve referências a lugares diferentes da cidade em que a parlamentar atuava. Um programa de educação financeira destinado a Praia Grande fala em beneficiar "cidadãos paulistanos". Já uma proposta sobre multas pelo consumo de maconha destina os recursos obtidos com as sanções a organizações "no município da Serra", no Espírito Santo, a mais de 700 quilômetros de distância.
O levantamento aponta ainda que três dos projetos analisados se relacionam diretamente a políticos próximos de Campopiano, do mesmo partido. Dois têm dispositivos iguais aos de propostas do vereador e deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP), e o terceiro reproduz programa apresentado pela deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC). As justificativas desses documentos não mencionam os projetos originais nem atribuem os textos aos dois parlamentares.
Em um dos casos, o texto de Campopiano cita um órgão que só existe na cidade de São Paulo, a Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (COSAP), conforme confirmado à BBC News Brasil pela prefeitura de Praia Grande. Outro projeto, sobre boletim médico em hospitais públicos, traz em nota de rodapé um link com a marcação "utm_source=chatgpt.com", indicando que o endereço foi copiado de uma resposta do ChatGPT, e cita a lei orgânica do município de São José para embasar seu amparo jurídico.
Segundo o site da Câmara de Praia Grande, nenhum desses três projetos foi aprovado. Procurado pela reportagem, o vereador Pastor Dinho afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o tema já era objeto de projetos em outras cidades e na própria Câmara dos Deputados, e que não foram enviados arquivos editáveis a Campopiano, mas houve contato entre os dois parlamentares para conversar sobre a proposta. "Não há necessidade de autorização alguma. O projeto é público e está à disposição da sociedade brasileira e de qualquer parlamentar", diz a nota.
Eleita a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1,96 milhão de votos, Campopiano iniciou sua atuação pública nas redes sociais aos 18 anos, segundo a biografia de seu site de campanha, ganhando projeção com posições contrárias ao feminismo e ao aborto e favoráveis ao acesso de mulheres a armas de fogo. Em entrevista ao UOL, ela afirmou que sua candidatura e seu trabalho parlamentar são "ideológicos" e que sua legislatura na Assembleia Legislativa de São Paulo será "muito mais ideológica" do que a exercida como vereadora.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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