Como uma janela de avião é feita? Saiba por que fabricação exige engenharia complexa
A fabricação de janelas de aeronaves é um processo de engenharia sofisticado dominado por pouquíssimas empresas no mundo. O episódio envolvendo a GKN Aerospace, no sul de Los Angeles, expôs essa fragilidade: no final de maio, um tanque com mais de 7 mil galões de metil metacrilato (MMA), substância usada na produção de plásticos, começou a esquentar rapidamente. A temperatura chegou a 38°C, e mais de 50 mil moradores de Garden Grove precisaram deixar suas casas. Não houve explosão, mas a produção de janelas na unidade, interrompida após o incidente, ainda não foi totalmente retomada.
Segundo a Melrose Industries, controladora britânica da GKN, a fábrica opera a cerca de 50% do nível normal, com meta de retomada total até 28 de setembro. A GKN não aceitou conceder entrevista à BBC. A Boeing afirmou que está "tomando medidas para reduzir possíveis impactos" e dando suporte ao fornecedor. A Airbus declarou acompanhar a situação de perto e observar avanços rumo à normalização.
Para entender como essas janelas são feitas, a BBC conversou com Jean-Eric Vermont, diretor-geral da Saint-Gobain Aerospace, empresa francesa que atua no setor. As janelas ovais da cabine de passageiros costumam ser produzidas a partir de uma placa de acrílico, cortada no formato necessário. Elas geralmente têm duas camadas, e os fabricantes têm encomendado modelos cada vez maiores para oferecer visão mais ampla — o que exige testes adicionais de resistência. A Saint-Gobain testa as janelas com pressões muito superiores às enfrentadas em voo e verifica se resistem mesmo quando uma das camadas é danificada.
Já as janelas da cabine de comando são "completamente diferentes", segundo Vermont. Em geral, são feitas de vidro reforçado quimicamente com adição de potássio: íons menores de sódio são substituídos por íons maiores de potássio, tornando a estrutura molecular mais compacta e resistente quando o material esfria. Algumas aeronaves recentes têm janelas curvas na cabine de comando, o que melhora a aerodinâmica e a eficiência de combustível, mas qualquer distorção fica visível ao piloto, exigindo rígidos controles de qualidade.
As janelas da cabine de comando são especialmente vulneráveis a colisões com aves. "O problema não é a velocidade da ave, mas a velocidade da aeronave", afirma Vermont. A empresa usa simulações numéricas e testes físicos que reproduzem o impacto de uma ave de grande porte. Segundo ele, se o avião atravessa uma tempestade de granizo ou atinge uma ave grande, a camada externa pode rachar — e a janela é projetada para suportar isso. Para Mike Stengel, da consultoria AeroDynamic Advisory, como se trata de uma superfície em contato com dois ambientes muito diferentes, esses produtos exigem um projeto de engenharia mais complexo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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