Como opera a empresa por trás de despejo de idosa de 87 anos na Espanha
A empresa proprietária do imóvel de onde foi despejada Maricarmen Abascal, de 87 anos, em Madri, é uma microempresa espanhola que atua na compra de edifícios para desocupá-los, reformá-los e revendê-los por valor mais alto. A Urbagestión Desarrollo e Inversión SL, que também opera como Urbagesa, foi constituída em outubro de 2005, em pleno auge da bolha imobiliária no país, e oferece, segundo sua própria descrição, "investimentos rentáveis" em imóveis comerciais, escritórios, galpões industriais, logística, residenciais e terrenos.
Com sede em Madri e filial em Valladolid, a empresa atua em todo o território espanhol, mas conta com apenas sete funcionários, de acordo com dados da plataforma de informações empresariais einforma obtidos pela agência EFE. A plataforma também a classifica como "microempresa". Dados da Axesor, especializada em informações empresariais e de risco de crédito, apontam que a Urbagestión está ligada aos empresários Ricardo Alonso Fernández e Fernando Alonso Fuentes.
A carteira de projetos da companhia inclui cerca de dez edifícios residenciais à venda, quase todos em Madri. Entre eles está um imóvel "atualmente vazio e para reformar" próximo à Gran Vía, uma das principais vias comerciais da capital, cujo preço supera US$ 14 milhões, segundo a EFE. Em seu site, a empresa também oferece, "em pleno centro" da capital, "um edifício com inquilinos", mas ressalta que os contratos "terminariam no ano que vem e os demais não são de longa duração".
O edifício onde fica o apartamento de Maricarmen foi comprado em 2018 pela Renta Corporación, um dos grandes grupos imobiliários espanhóis. A empresa ofereceu à idosa a opção de comprar o imóvel por cerca de US$ 290 mil, mas, com uma aposentadoria que não ultrapassa US$ 1.500, ela não tinha condições de arcar com o valor. Dois anos depois, a Urbagestión adquiriu o edifício e passou a cobrar um aluguel de cerca de US$ 3 mil, em comparação com os US$ 570 que ela pagava graças a um contrato antigo assinado por seus pais em 1956. A empresa argumentou que o contrato havia expirado e exigiu o valor atualizado.
Em suas poucas manifestações desde que o caso veio à tona, a Urbagestión ressaltou que é uma empresa de pequeno porte e pediu que não seja equiparada aos fundos de investimento, frequentemente descritos como "fundos abutres". Especialistas apontam, no entanto, que a companhia compartilha com eles uma lógica econômica: identificar ativos, comprá-los, reformá-los e vendê-los por um valor mais alto, buscando retorno o mais rapidamente possível. Nas últimas duas décadas, grandes fundos internacionais entraram com força no mercado espanhol e se tornaram os maiores detentores de imóveis residenciais do país.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar