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Como memórias da guerra e do passado nazista estão no centro de disputa eleitoral na Alemanha

Por Ivan Marra
Atualizado em 29/08/2026 às 15:05 schedule 3 min de leitura visibility 59 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A extrema-direita alemã pode conquistar, pela primeira vez, um governo estadual na Alemanha. Pesquisas de opinião apontam que a Alternativa para a Alemanha (AfD) tem ampla vantagem nas intenções de voto na Saxônia-Anhalt, estado da região centro-leste do país, antes das eleições de 6 de setembro. O partido lidera a disputa com uma agenda que promete mudar a forma como a história alemã é ensinada nas escolas e cortar o financiamento público à arte classificada como "anti-alemã".

No centro da campanha está o questionamento da chamada "cultura da memória" — o conjunto de políticas e práticas educacionais que mantêm viva a lembrança dos crimes do nazismo. No manifesto, a legenda descreve essa cultura como um "complexo de culpa", uma afirmação controversa em um país onde o enfrentamento do passado nazista é visto como alicerce moral da nação. O partido defende que a Alemanha moderna deve se orgulhar de sua história e se concentrar menos no período de Hitler.

O programa da AfD para a Saxônia-Anhalt inclui alterar o currículo de história para dar mais ênfase aos séculos anteriores, em vez dos conflitos catastróficos das duas guerras mundiais. Hans-Thomas Tillschneider, idealizador do plano, resumiu a proposta como "mais Bismarck, menos Hitler", em referência ao arquiteto da unificação alemã em 1871. O partido também prometeu hastear a bandeira alemã diariamente nas escolas públicas e preservar memoriais de guerra em homenagem aos soldados alemães.

Ulrich Siegmund, de 35 anos, é o nome que pode se tornar o primeiro governador estadual da AfD. Ex-vendedor de aromatizadores de ambiente, ele se tornou uma estrela do partido com um estilo de campanha enérgico e uso intenso das mídias sociais. Em comícios, ele autografa cópias de uma reportagem de capa da revista Der Spiegel que o declarou o "homem mais perigoso da Alemanha". Em entrevista à BBC, Siegmund defendeu a agenda patriótica: "Queremos ensinar nossa história em sua totalidade, com todos os seus altos e baixos, mas com orgulho e uma perspectiva positiva".

Os demais partidos do estado já afirmaram que não formarão coligação com a AfD, classificada como de extrema-direita na Saxônia-Anhalt desde 2023. A inteligência interna alemã apontou que a seção local do partido era antidemocrática e que seus objetivos eram permeados por uma "ideologia racista", classificação que a legenda rejeita como difamação politizada. Críticos veem nos planos do partido ecos do nacional-socialismo, especialmente na promessa de cortar verba para arte "anti-alemã". Diretores de teatros locais, que dependem de financiamento estatal, consideram as propostas vagas e ameaçadoras. "Isso é fazer propaganda nazista", afirmou Frank Martin Widmaier, diretor de um teatro em Eisleben. "É para ameaçar as pessoas, para ameaçar as instituições."

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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