Como eleições nos EUA devem selar destino de Trump e futuro da relação com o Brasil em 4º mandato de Lula
Nove dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, nesta terça-feira (03/11), serão decisivas para o futuro da relação entre o Brasil e seu principal parceiro nas Américas. O pleito define todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de 39 governos de Estados e territórios e diversos cargos estaduais e locais.
Pesquisas de intenção de voto indicam que a oposição democrata tem chances de conquistar maioria na Câmara e, talvez, também no Senado — cenário descrito como uma "onda azul". Hoje, o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, controla o Executivo e as duas Casas do Legislativo, o que permitiu avançar sua agenda sem grande resistência, incluindo tarifas a produtos importados de diversos países, entre eles o Brasil, e ações militares na América Latina.
Desde que Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, a relação com o Brasil atravessa um período de tensão. O republicano impôs um "tarifaço" sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades. A embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, está com o visto revogado desde agosto: segue autorizada a atuar no país, mas precisaria de novo visto para reentrar em território americano caso deixe os EUA. Durante a campanha, Lula criticou as medidas e apostou no discurso de defesa da soberania.
Trump enfrenta queda acentuada de popularidade, com aprovação de 31% segundo pesquisa recente. Os americanos demonstram preocupação com custo de vida, inflação e preços dos combustíveis, agravados pelo ataque dos EUA ao Irã em fevereiro. Segundo pesquisas, menos de 30% aprovam a condução da economia pelo presidente. O avanço da Inteligência Artificial e de data centers, com impactos ambientais e nos custos de energia, a atuação do governo na imigração e alegações de corrupção também geram insatisfação. Há perda de apoio inclusive entre grupos que impulsionaram seu retorno à Casa Branca, como jovens e eleitores de origem hispânica.
Para o historiador Lucas de Souza Martins, pesquisador da Universidade Temple, Lula "sempre foi muito pragmático" nas relações com os EUA e, embora tenha usado o discurso da soberania como instrumento eleitoral, jamais deixou de buscar canais institucionais e bilaterais. O cientista político Michael Traugott, professor emérito da Universidade de Michigan, avalia que uma maioria democrata na Câmara significaria mais audiências em comissões e possivelmente investigações do Congresso. "Não está claro qual será o efeito dessas iniciativas, porque Trump tende a ignorar qualquer questionamento de suas políticas. Mas haverá mais informação pública, incluindo detalhes e custos de políticas específicas", afirma.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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