Como Dilma está ajudando a Rússia a contornar sanções do Ocidente
A ex-presidente Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos Brics, afirmou que a instituição encontrou um “caminho” para retomar as operações com a Rússia, suspensas desde 2022 após a invasão da Ucrânia. A declaração foi feita no último dia 11, durante reunião com o presidente russo, Vladimir Putin.
Na ocasião, Dilma classificou como uma “profunda injustiça” a situação enfrentada pela Rússia dentro do banco e afirmou que o país sempre desempenhou um papel decisivo e agiu com “integridade perante a instituição”. “Infelizmente, por diversas razões, as coisas aconteceram como aconteceram. Mas agora, parece-me, encontramos o caminho certo para corrigir essa injustiça”, disse.
Desde que assumiu o comando do Banco dos Brics, em abril de 2023, Dilma intensificou a estratégia de financiamento em moedas locais e ampliou instrumentos para reduzir a dependência dos grandes centros financeiros tradicionais. Em 2024, 43,5% do valor dos financiamentos aprovados pelo banco já estavam em moedas dos países integrantes, principalmente yuan e rand sul-africano. Em 2025, a participação chegou a quase 46% das novas aprovações. A instituição também concedeu, durante a gestão da ex-presidente, seu primeiro empréstimo em yuan para um projeto localizado fora da China.
Na prática, o uso de moedas locais permite que o banco levante e empreste dinheiro em moedas como yuan, rupia ou rublo, sem precisar transformar toda a operação em dólar. Com isso, parte do dinheiro pode circular sem passar por bancos e sistemas ligados aos Estados Unidos, sobre os quais Washington tem maior capacidade de bloquear transações e aplicar sanções. O mecanismo não elimina, por si só, uma sanção nem torna determinada operação imune às restrições impostas pelos Estados Unidos ou pela Europa, mas reduz a necessidade de passar por alguns dos canais sobre os quais esses países possuem maior influência e controle.
Em maio, autoridades russas já haviam anunciado que Moscou e o Banco dos Brics tinham encontrado “soluções” para retomar o financiamento de projetos no país. O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, disse que os mecanismos foram desenhados para “minimizar” os riscos da relação com Moscou e poderiam movimentar “bilhões de dólares”. Ele não revelou os detalhes da solução. Na reunião anual da instituição em Moscou, Dilma defendeu a ampliação das emissões em moedas locais e afirmou que, no próximo ciclo estratégico da instituição, entre 2027 e 2031, a meta será realizar entre 40% e 50% dos financiamentos em moedas dos próprios países integrantes.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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