Como a Rússia confisca casas na Ucrânia ocupada: 'Não temos para onde voltar'
Moradores de áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia relatam ter perdido suas casas após autoridades locais classificarem imóveis como abandonados e os transferirem a novos proprietários. Uma investigação conjunta da BBC Verify e da BBC News Rússia analisou centenas de registros e constatou que, desde 2024, 34.002 imóveis pertencentes a cidadãos ucranianos foram confiscados ou incluídos em listas para confisco, a fim de serem destinados a cidadãos russos.
Entre os casos está o do pastor evangélico Ihor Ivashchuk, que fugiu de Melitopol em 2022 e pediu a um amigo que cuidasse de sua casa. No fim de 2024, o amigo foi despejado e o imóvel, que Ivashchuk levou mais de 20 anos para reformar, deixou de ser dele. A filha de uma proprietária nos arredores de Mariupol, identificada como Ivanna para proteger parentes, contou que a casa da família, construída pelo pai para a mãe, foi identificada para confisco em abril. "Não consigo imaginar outra pessoa morando lá", disse.
Os cidadãos ucranianos raramente são avisados quando seus imóveis entram na mira das autoridades e precisam vasculhar registros online para verificar se seus nomes constam nas listas. Para tentar reaver os bens, precisam obter passaportes russos, retornar pessoalmente às regiões ocupadas em até 30 dias e enfrentar uma triagem de segurança no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou. Um porta-voz da Embaixada da Rússia em Londres afirmou que as medidas estabelecem procedimentos para a administração de imóveis cujos proprietários não podem ser identificados, além de prever indenização caso os legítimos donos se apresentem posteriormente.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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