Brasil em crise com EUA e Argentina: os ônus e bônus eleitorais para Flávio Bolsonaro e Lula
As recentes tensões na relação entre Brasil e Estados Unidos, somadas ao atrito diplomático com a Argentina, criam um cenário de desgaste para o governo Lula e abrem espaço para a exploração política da oposição. Para analistas, a postura do presidente americano, Donald Trump, ao criar novas situações negativas no diálogo bilateral, impõe um peso sobre a gestão petista, que precisará se defender no campo político interno.
O movimento de Trump é visto como um fator que pode beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca capitalizar a insatisfação popular com a política externa brasileira. A avaliação é que, ao mesmo tempo em que o governo Lula enfrenta o desgaste de responder às provocações de Washington, o senador fluminense tenta se posicionar como uma alternativa, especialmente mirando alianças para o segundo turno das eleições municipais, evitando confrontos diretos com lideranças como Caiado e Zema.
O cenário de crise externa, no entanto, também impõe riscos à oposição. A postura de Flávio Bolsonaro em relação ao governo americano precisa ser calibrada para não soar como subserviência a um país que, em gestos recentes, revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington. A resposta do governo Lula, prometendo retaliação na mesma moeda, eleva a temperatura e coloca a diplomacia brasileira em um beco sem saída, onde qualquer recuo pode ser interpretado como fraqueza.
Especialistas apontam que o governo brasileiro terá que equilibrar a defesa da soberania nacional com a necessidade de manter canais de diálogo abertos com os Estados Unidos, seu principal parceiro comercial. A falta de uma estratégia clara para a crise pode ampliar o desgaste, transformando a política externa em um flanco de ataque para a oposição nas próximas eleições.
Órgãos oficiais não detalharam, até o momento, os próximos passos da diplomacia brasileira para conter a escalada da crise, mas a expectativa é de que o tema domine o debate político nas próximas semanas.
O Itamaraty não se manifestou oficialmente sobre as avaliações de que a crise teria impacto eleitoral interno, e a leitura predominante entre diplomatas ouvidos em caráter reservado é a de que a condução da resposta brasileira busca evitar a escalada sem abrir mão da reciprocidade. Ainda assim, os desdobramentos práticos do atrito — como eventuais impactos em pautas comerciais ou na agenda de viagens presidenciais — não foram detalhados por nenhuma das partes envolvidas.
No plano doméstico, a avaliação de que o episódio pode render dividendos políticos à oposição não é consenso entre cientistas políticos, e há quem sustente que crises externas tendem a gerar efeito de união em torno do governo. Os números de aprovação da política externa, quando divulgados, costumam variar conforme o instituto de pesquisa, e nenhuma sondagem recente sobre o tema foi publicada até o fechamento desta edição.
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