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Bolsonarismo se fortaleceu tanto que não precisa mais dos militares, diz especialista em Forças Armadas

Por Ivan Marra
Atualizado em 08/10/2026 às 15:20 schedule 3 min de leitura visibility 8 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O cientista político João Roberto Martins Filho, professor titular da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), avalia que o bolsonarismo se fortaleceu a ponto de não depender mais dos militares para eleger candidatos ou governar. Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirma que a forte votação de políticos bolsonaristas no primeiro turno da eleição demonstra essa autonomia e que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro (PL) não deve ter protagonismo das Forças Armadas.

Segundo o pesquisador, o governo Lula conseguiu fazer os militares voltarem aos quartéis. Ele cita que o atual comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva, e o chefe do Estado-Maior, general Richard Fernandez Nunes, prometeram tirar as Forças Armadas da política, e isso efetivamente ocorreu. Entre os militares da ativa, as opiniões políticas deixaram de ser expressas em público ou nas redes sociais, diferentemente do que ocorria na gestão anterior.

Martins Filho ressalta, no entanto, que a mentalidade militar não mudou. Ele observa que a votação em Flávio Bolsonaro entre os militares foi muito alta e que, se há um comando firme que determina a não manifestação política, quem está na carreira evita desagradar a chefia. No governo Bolsonaro, lembra, o comando queria essa participação.

O especialista avalia que a experiência no governo anterior foi extremamente negativa para as Forças Armadas. Ele lista ocasiões em que, segundo sua análise, Bolsonaro submeteu os militares a vexames sucessivos, até o episódio que considera o maior deles: expô-los à tentativa de golpe. Hoje, assim como o ex-presidente, vários militares estão presos e condenados por articularem um golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023.

Para Martins Filho, as Forças Armadas vão querer manter distância do governo depois dessa experiência. Ele acredita que Flávio Bolsonaro, ao contrário do pai, não deve nomear generais para a equipe de governo. O cientista político também aponta que, no cenário internacional, cresceu entre os militares brasileiros a crítica à China e uma admiração pelos Estados Unidos, inclusive pela compra de equipamentos militares americanos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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