Bispo Twal: a Jordânia é uma mensagem de convivência
Bispo Twal: a Jordânia é uma mensagem de convivência
O bispo Iyad Twal, vigário patriarcal para a Jordânia, descreve o país como um oásis de paz em meio aos ventos de guerra no Oriente Médio. Em entrevista à mídia vaticana, durante sua participação nos trabalhos da Conferência dos Bispos Latinos das Regiões Árabes (CELRA), em Roma, ele afirmou que, apesar das consequências do conflito entre os EUA e o Irã, a Jordânia mantém a normalidade da vida cotidiana. “Não fechamos as escolas, as universidades… continuamos vivendo”, disse, acrescentando que houve aumento nos preços e uma desaceleração no turismo, inclusive o religioso.
O vigário patriarcal também falou sobre a situação na Palestina, lembrando as bombas que continuam caindo em Gaza e as violências perpetradas por colonos israelenses contra a população da Cisjordânia. Segundo ele, os cristãos se sentem parte desse povo. “Fazemos parte da Diocese da Terra Santa, do Patriarcado Latino de Jerusalém. Eles são nossos irmãos, são nossas irmãs, e vivemos juntos a dura realidade do que está acontecendo”, afirmou. Twal contou que, com ajuda, foi possível trazer doze estudantes de Gaza para a Jordânia, onde agora cursam a universidade em Madaba, e que a Igreja também apoia o exército jordaniano, que mantém três hospitais de campanha em Gaza. “Se não houver justiça e paz para o povo palestino, viveremos sempre em crise”, alertou.
Sobre o papel da religião na região, o bispo disse acreditar que ela deve ser a solução, não o problema. “Acreditar em Deus é uma forma de se aproximar do outro. A Terra Santa não é santa por causa das pedras, é santa porque os homens vivem a santidade”, observou. Ele defendeu a importância da presença cristã no Oriente Médio e afirmou que ser cristão árabe faz parte da identidade, mesmo para quem emigra para a Europa ou para os Estados Unidos.
A Jordânia se prepara para celebrar, em 2030, os dois mil anos do Batismo de Jesus, cujo local foi identificado por arqueólogos em Al-Maghtas, também conhecido como Betânia, além do Jordão. Twal explicou que o rei criou uma comissão nacional presidida pelo primeiro-ministro e que estão sendo investidos cerca de 120 milhões de dólares para construir uma vila próxima ao local do batismo. A Igreja, por sua vez, abriu um escritório para peregrinos e planeja propor um percurso bíblico anual, até 2030, em torno dos grandes profetas da Jordânia: Moisés, Elias e João Batista. Depois, o olhar se volta para 2033, o Jubileu dos dois mil anos da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
Para o bispo, a Jordânia representa uma mensagem de convivência pacífica entre fiéis de diferentes religiões. “É a vida cotidiana que levamos: a tranquilidade, a paz, a abertura, a moderação”, disse, reconhecendo que problemas existem em todos os lugares. “A riqueza que temos — as religiões, as culturas, a diversidade no Oriente Médio — é uma riqueza para toda a humanidade. Sim, a Jordânia é realmente uma mensagem, e esperamos continuar assim”, concluiu.
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