Avanço da direita em eleição no Brasil é vitória de Trump?
O avanço da direita nas eleições de domingo (5/10) no Brasil reacendeu o debate sobre a influência da política externa de Donald Trump no continente. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno da eleição presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o Partido Liberal terá a maior bancada no Senado e na Câmara dos Deputados. Candidatos a governos estaduais apoiados por Flávio venceram em dez pleitos e disputarão o segundo turno em outros cinco. A disputa pela Presidência segue em aberto até 25 de outubro.
Para analistas ouvidos pela BBC News Brasil, o resultado pode ser lido como um êxito da chamada "Doutrina Donroe", que orienta a política externa americana para a América Latina ao buscar excluir influências externas, como China e Rússia, e defender interesses dos EUA no continente. "Isso é uma vitória para a Doutrina Donroe? Eu diria que sim", afirma Christopher Sabatini, pesquisador sênior da Chatham House, em Londres. "Está claro que uma guinada em direção ao bolsonarismo no Brasil será uma vitória de enorme importância para Donald Trump", diz Gaspard Estrada, da London School of Economics.
Na segunda-feira (5/10), Trump classificou como uma "grande vitória" a vantagem de Flávio sobre Lula, embora tenha sido apertada, e afirmou que o segundo turno será "muito acirrado". Em publicação na rede social Truth Social, elogiou a rapidez da apuração brasileira e usou o resultado para criticar o sistema eleitoral dos Estados Unidos.
Nem todos os especialistas concordam que o avanço da direita possa ser atribuído a Trump. "Eu não acredito que o eleitor brasileiro comum foi às urnas pensando em Trump", diz Mahrukh Doctor, professora da Universidade de Hull. Para ela, nas disputas estaduais e no Congresso, os eleitores estavam mais preocupados com resultados dos governos e com a escolha entre continuidade ou mudança. Doctor afirma que a guinada à direita faz parte de um movimento pendular observado na América Latina desde a redemocratização, e não necessariamente de uma "onda" continental.
Segundo Vinicius de Carvalho, professor do King's College, a influência americana foi tema importante das campanhas e deve continuar a ter impacto no segundo turno, especialmente entre eleitores indecisos. Os detalhes completos da apuração e os números finais do primeiro turno não constam no material disponível.
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