As viradas democratas que mudaram a disputa pelo Senado nos EUA
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos resultaram em derrotas importantes para o presidente Donald Trump e devem retirar do Partido Republicano o controle da maioria no Senado. Segundo a CBS News, parceira da BBC nos Estados Unidos, com a projeção da vitória de Josh Turek em Iowa, os democratas alcançaram 51 cadeiras no Senado, número suficiente para garantir a maioria. O partido também deverá controlar a Câmara dos Representantes, conforme projeção de vitória democrata na Casa.
Com o controle das duas Casas a partir de janeiro, os democratas terão mais facilidade para aprovar projetos de lei, poderão contestar a agenda do presidente, abrir investigações sobre integrantes do governo Trump e barrar indicações presidenciais para cargos no Judiciário. Atualmente, os republicanos detêm a maioria em ambas as Casas.
Entre as disputas mais acompanhadas estavam sete corridas pelo Senado classificadas durante boa parte da campanha como indefinidas pela Cook Political Report, empresa independente de análise eleitoral: Alasca, Maine, Texas, Michigan, Iowa, Kansas e Ohio. Seis terminaram com vitória democrata — James Talarico no Texas, Sherrod Brown em Ohio, Adam Hamilton no Kansas, Josh Turek em Iowa, Troy Jackson no Maine e Abdul El-Sayed no Michigan. O resultado no Kansas teve caráter histórico: o estado não elegia um democrata para o Senado havia quase 100 anos, desde 1932.
No Texas, o deputado estadual e ex-professor James Talarico encerrou décadas sem vitórias democratas na disputa pelo Senado ao derrotar o republicano Ken Paxton, aliado de Trump, em uma campanha marcada por ataques duros e que se tornou a eleição para o Senado mais cara da história. Em Iowa, o ex-atleta paralímpico Josh Turek, de 47 anos, superou a republicana Ashley Hinson, ex-apresentadora de telejornal, em disputa na qual agricultura, tarifas e o governo Trump foram temas centrais. No Kansas, Adam Hamilton derrotou o senador republicano Roger Marshall, encerrando 94 anos sem um senador democrata no estado.
Vitórias democratas também foram registradas na Carolina do Norte e na Carolina do Sul, estados que não estavam no radar para mudança de partido nas cadeiras do Senado. A vitória de Annie Andrews na Carolina do Sul foi considerada por analistas uma das grandes surpresas da noite. No Alasca, a disputa ainda não tinha resultado definido no momento da atualização, mas as projeções já indicavam que os democratas manteriam a maioria no Senado independentemente do resultado local, que poderia ampliar o tamanho dessa maioria.
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