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As mais de 250 mil mulheres solteiras forçadas a dar seus filhos em adoção no Reino Unido em meados do século passado

Por Ivan Marra
Atualizado em 08/09/2026 às 20:20 schedule 3 min de leitura visibility 26 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Mães solteiras foram obrigadas a entregar bebês para adoção no Reino Unido entre 1949 e 1976

Marion McMillan tinha 17 anos quando foi enviada pela família, do sudoeste da Escócia, para uma maternidade do Exército da Salvação em Newcastle Upon Tyne, na Inglaterra, a mais de 240 km de casa. Grávida e solteira, ela passou nove meses com o filho até que o bebê foi retirado dela, apesar de suas súplicas. O caso é um dos retratados no documentário da BBC "Stolen Babies" ("Bebês roubados"), que narra histórias de cerca de 250 mil mulheres obrigadas a entregar seus recém-nascidos em adoção no Reino Unido entre 1949 e 1976.

No lar para mães solteiras onde deu à luz, McMillan relatou condições austeras e tratamento brutal. Durante o parto, uma enfermeira-chefe lhe deu um tapa no rosto por tentar se levantar da cama. Ela só pôde segurar o filho no dia seguinte. O bebê, que ela descreveu como um menino com "lindo cabelinho preto", foi adotado aos nove meses. McMillan comparou a espera para entregá-lo ao corredor da morte. Ela só reencontrou o filho em 2004.

Outra vítima, Ann Keen, também engravidou aos 17 anos, enquanto trabalhava em uma fábrica no País de Gales. Ela deu à luz em um hospital público e teve anestesia negada durante o parto. "Eles me disseram que não me dariam nada para a dor para que eu recordasse e não voltasse a ser uma menina má", afirmou. Keen foi informada de que poderia ficar 10 dias com o bebê, mas, no oitavo dia, ele já não estava mais no berçário. Uma parteira disse que ela nunca mais o veria e extraiu seu leite à força.

As mulheres eram impotentes diante do Estado, de assistentes sociais e de organizações religiosas que ofereciam bebês a famílias adotivas. "Éramos meninas solteiras da classe trabalhadora, que tínhamos bebês adotados por mulheres de classe média", declarou Keen ao documentário. Muitas mantiveram a experiência em segredo por anos. Em julho deste ano, o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pediu desculpas formalmente a essas mães. "A vergonha não é sua... a vergonha é nossa", disse ele.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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