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'As gangues, as armas e a batalha pelo Brasil': jornal britânico destaca protagonismo da violência de facções criminosas na eleição

Por Celso Rafael
Atualizado em 15/10/2026 às 15:50 schedule 4 min de leitura visibility 9 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times nesta quinta-feira (15/10) retrata a crescente violência de facções criminosas no Brasil e aponta o peso da segurança pública nas eleições presidenciais de 2026. Segundo a publicação, "o medo e a raiva em relação ao crime organizado" marcaram uma série de eleições recentes na América Latina, e o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) espera que o mesmo ocorra nas urnas brasileiras.

Intitulada "As gangues, as armas e a batalha pelo Brasil", a matéria descreve como facções criminosas e milícias passaram a exercer controle sobre parcelas significativas do território nacional, especialmente em comunidades urbanas do Rio de Janeiro, ampliando seu alcance para praticamente todo o país. Os repórteres visitaram o Complexo da Penha, na zona norte do Rio, onde moradores relatam a presença constante de barricadas armadas operadas por integrantes do Comando Vermelho. O professor de artes marciais Thiago Braga afirmou ao jornal que a circulação na região passou a ser controlada por traficantes fortemente armados e que o Estado está, em grande medida, ausente. "Se os jovens na barricada são mortos, outros tomam seu lugar. É um processo sem fim", disse.

O texto destaca que, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado e da Universidade Federal Fluminense, 31% do território do município do Rio está atualmente sob controle direto ou influência de grupos armados. Nessas áreas vivem quase 3 milhões de pessoas, o equivalente a mais de 40% da população da cidade. Ainda de acordo com a reportagem, o espaço dominado por essas organizações mais do que dobrou desde 2008. "Poucos lugares na América Latina têm a mesma escala, diversidade e descaramento de comportamento de gangues como o Rio de Janeiro", diz o texto.

O Financial Times afirma que o fenômeno deixou de ser um problema concentrado no Rio. Dados citados pelo jornal indicam que o Comando Vermelho já possui presença em 26 das 27 unidades federativas do país, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), principal grupo criminoso de São Paulo, também alcançou 26 Estados. Especialistas ouvidos pela publicação avaliam que ambas as organizações já contam com mais integrantes do que alguns dos mais famosos cartéis da Colômbia e do México. A reportagem também chama atenção para o avanço dessas organizações sobre a política, citando o caso de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, preso e aguardando julgamento sob a acusação de atuar em favor do Comando Vermelho.

Ao abordar as propostas de Flávio Bolsonaro para a área de segurança, o jornal destaca promessas de ampliar operações policiais e construir megapresídios para integrantes de facções, em linha com estratégias adotadas em outros países da região, como El Salvador. A publicação observa, contudo, que especialistas questionam a eficácia dessas medidas, argumentando que justamente dentro do sistema prisional surgiram organizações como o Comando Vermelho e o PCC. O texto também menciona a proximidade de Flávio Bolsonaro com o governo de Donald Trump, que classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, e aponta que, para Lula, as pesquisas mostram que a segurança é um de seus pontos fracos. O jornal sugere ainda que, independentemente do vencedor da eleição, uma solução duradoura dependerá de o Estado recuperar o controle de territórios atualmente governados por facções e milícias.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

Leia a seguir Politica Pesquisas para presidente a 10 dias do 2º turno — o que diziam em 2018 e 2022 e o que mostram agora Em 2026, Flávio lidera as intenções de voto. Continuar leitura arrow_forward

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Celso Rafael

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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