Cardeal Scherer: Unidos em Cristo, participando da missão
No domingo, 18 de outubro, a Igreja Católica celebra em todo o mundo o Dia Mundial das Missões pela 100ª vez. A data, segundo o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, recorda que a preocupação missionária não é recente: vem dos tempos apostólicos, quando as comunidades de fiéis já eram envolvidas na obra de anúncio do Evangelho, e atravessou os dois mil anos de história da Igreja.
Na mensagem para o 100º Dia Mundial das Missões, o Papa Leão XIV destaca que, se o trabalho missionário da Igreja deve produzir frutos ainda hoje, é preciso estar em comunhão com Cristo e em comunhão eclesial. O cardeal retoma essa ideia ao lembrar que Jesus não fundou uma ONG nem uma instituição autorreferencial deixada ao próprio destino: quis que a comunidade dos discípulos permanecesse unida a Ele, a Deus Pai e ao Espírito Santo, e pediu, após a Última Ceia, que os apóstolos ficassem unidos entre si e se deixassem conduzir pelo Espírito.
Essa união aparece na parábola da videira e dos ramos (cf. Jo 15,1-8): Cristo é a videira, os discípulos são os ramos e o Pai é o agricultor. O ramo que não permanece unido à videira fica infrutífero e seca. Daí a condição indicada por Jesus para que a missão produza muitos frutos: permanecer Nele e na comunhão eclesial.
O cardeal observa que as divisões internas da Igreja enfraquecem o testemunho missionário, e que tentativas de atacar e minar, dentro da própria Igreja, a credibilidade e a idoneidade moral de anunciar e testemunhar o Evangelho são péssimas para a sua missão. Questões internas sobre aspectos organizativos e culturais não devem se tornar a preocupação principal, para não enfraquecer o ardor missionário.
Leão XIV destacou a importância de uma consciência renovada sobre a natureza missionária da Igreja e a urgência de uma ação missionária bem participada. A missão é de toda a Igreja: todos os membros são missionários, cada um no seu lugar e com o dom recebido de Deus. Uma das formas de participar dessa obra é o apoio material, por meio da coleta missionária realizada no Domingo das Missões em todas as celebrações da Igreja Católica, que ajuda a sustentar a ação de missionários em frentes onde a Igreja está ausente ou ainda pouco presente.
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