Amyr Klink ganha filme e explica por que não quis ajudar a filha Tamara a virar navegadora: 'História se constrói, não se herda'
O navegador Amyr Klink, de 71 anos, ganhou uma cinebiografia sobre a travessia a remo que o levou ao Livro Guinness dos Recordes. Com direção de Carlos Saldanha, de A Era do Gelo e Rio, o filme 100 Dias estreia nos cinemas em 29 de outubro. O ator Filipe Bragança, que viveu Sidney Magal na cinebiografia Meu Sangue Ferve por Você, interpreta Klink na produção.
Em entrevista à BBC News Brasil por videoconferência, Klink relembrou a travessia que fez da Namíbia, na África, até Salvador, em 1984, e comentou a relação com a filha Tamara Klink, de 29 anos, que também se tornou navegadora. O pai contou que decidiu não apoiá-la com conselhos ou dinheiro. "Ajudei ela com zero centavos, com pouquíssima informação, para que ela entendesse que precisava fazer a história dela, não herdar a história do pai", afirmou. "As tecnologias que eu tinha eram muito precárias, e hoje os recursos são espetaculares. É outro universo. Ela tinha que aproveitar esses recursos."
Klink disse que a escolha da filha é motivo de orgulho, embora seja um caminho de altíssimo risco. Segundo ele, Tamara não ficou triste com a decisão do pai de não ajudá-la, porque hoje tem acesso a conselhos mais competentes. "Quando ela terminou as primeiras travessias, fiquei orgulhoso, como pai, e falei: 'Filha, agora empresto meu barco para você'. Aí ela disse: 'Agora não quero mais'", contou. "História não é uma coisa que você herda, ganha ou que o dinheiro compra. É uma coisa que você faz."
Sobre o filme, o navegador afirmou ter ficado impressionado com o cuidado do diretor em reproduzir detalhes da viagem que ele próprio não havia registrado no livro. Klink disse que deu total liberdade à produção e não fez pedidos sobre como deveria ser retratado. Também elogiou o desempenho de Filipe Bragança e afirmou que às vezes fica confuso ao ver as imagens, sem saber se é ele há 40 anos ou o ator.
O navegador, que hoje viaja pelo país dando palestras e administra uma marina em Paraty (RJ), falou ainda sobre as mudanças na navegação. Segundo ele, os recursos atuais, como monitoramento, rastreamento e internet satelital, tornam as viagens diferentes, mas não eliminam o desafio. "Você sabe onde quer chegar, mas não sabe o caminho que vai fazer, então o desafio continua", disse. Ele citou ainda o exemplo do navegador Raphael Garcia, que acaba de completar a mesma travessia e foi recebido por ele em Salvador.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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