A vida pode ter surgido duas vezes e ciência reabre o maior mistério da Terra
Um estudo publicado na última quarta-feira (05) na revista Science Advances propõe uma mudança radical na compreensão sobre a origem da vida na Terra. Segundo a pesquisa, bactérias e arqueias podem ter alcançado a condição de organismos vivos em momentos distintos, o que sugere que a vida pode ter surgido duas vezes no planeta.
A hipótese central do trabalho é que os dois maiores grupos de microrganismos — bactérias e arqueias — não compartilham um ancestral comum direto no estágio celular. Em vez disso, cada grupo teria desenvolvido de forma independente as características necessárias para ser considerado vivo, a partir de um processo evolutivo paralelo. A proposta reabre o debate sobre o maior mistério da biologia: como e quando a vida começou.
Os pesquisadores analisaram dados genômicos e moleculares para comparar as estruturas celulares e os mecanismos metabólicos dos dois grupos. As diferenças fundamentais encontradas entre eles indicam que a transição de moléculas complexas para células funcionais pode ter ocorrido em duas rotas separadas, em vez de uma única origem comum. O estudo não descarta, porém, que ambos os grupos tenham partido de um mesmo conjunto de moléculas orgânicas primordiais.
Os autores destacam que a descoberta, se confirmada, altera a forma como a ciência enxerga a evolução primitiva e amplia as possibilidades de busca por vida fora da Terra. Se a vida surgiu mais de uma vez em condições semelhantes, a probabilidade de existirem organismos em outros planetas com ambientes parecidos com os da Terra primitiva pode ser maior do que se estimava.
Os detalhes completos do estudo, incluindo a metodologia e os dados analisados, estão disponíveis na edição da Science Advances. Os pesquisadores não informaram se há previsão para novas etapas de investigação que possam testar experimentalmente a hipótese.
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