3 cenários possíveis para os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA
Após meses de campanha e bilhões de dólares gastos, os Estados Unidos realizam nesta terça-feira as eleições de meio de mandato, as midterms, que renovam a Câmara dos Representantes e parte do Senado. As pesquisas indicam vantagem democrata, mas, como já ocorreu em pleitos anteriores, os levantamentos nem sempre se confirmam. A partir da contagem dos votos, três cenários gerais podem se desenhar.
1. Uma grande onda democrata
Historicamente, as midterms costumam favorecer o partido de oposição. Somam-se a isso um presidente historicamente impopular, uma guerra contra o Irã que elevou o custo de vida e políticas polêmicas, como o combate agressivo à imigração e o apoio à construção de data centers. Nesse cenário, os democratas não apenas assumiriam a Câmara, mas superariam com folga as 218 cadeiras necessárias para a maioria, conquistando também cadeiras consideradas sólidas dos conservadores. No Senado, precisariam vencer todas ou a maioria das disputas indefinidas, incluindo vitórias surpreendentes em Estados como o Texas ou o Kansas. O resultado representaria um castigo doloroso para Trump e seu partido, abrindo dois anos de conflito entre um Legislativo democrata e um presidente que raramente recusa uma briga. Os primeiros sinais seriam democratas mantendo cadeiras na Flórida e conquistando distritos republicanos na Carolina do Norte, Michigan, Nova York, Virgínia e Kentucky, além da vaga republicana no Senado na Carolina do Sul.
2. Um avanço democrata modesto
As pesquisas estariam parcialmente certas: os democratas conquistariam a maioria na Câmara, mas sem folga expressiva, o que exigiria negociação constante com membros mais à esquerda e do centro. No Senado, reverteriam apenas uma ou duas cadeiras, como a Carolina do Norte, enquanto disputas em bastiões conservadores ficariam inatingíveis — casos da vaga da senadora republicana Susan Collins, no Maine, e de Michigan. Para esse cenário, o alto comparecimento democrata na votação antecipada precisaria ser igualado por uma onda republicana no dia da eleição. O resultado seria um Congresso dividido, receita para impasse político. Os sinais seriam uma Flórida confortavelmente republicana e democratas conquistando cadeiras na Virgínia e na Pensilvânia, sem derrota em massa de congressistas republicanos em locais mais seguros.
3. Uma boa noite para os republicanos
Neste cenário, os republicanos mantêm o controle das duas casas. Para isso, as pesquisas — que já subestimaram o apoio a Donald Trump — precisariam estar erradas, e as disputas indefinidas se definiriam majoritariamente a favor dos conservadores. Eleitores hispânicos e independentes, aparentemente descontentes com as políticas de Trump, também precisariam ficar ao lado do presidente. O controle da Câmara poderia ser definido na Califórnia, com sua contagem prolongada de votos pelo correio, garantindo aos republicanos uma maioria apertada graças, em parte, a linhas distritais mais favoráveis no Texas, na Flórida e na Carolina do Norte. No Senado, venceriam todas as cadeiras em Estados conservadores e ainda a disputa em Michigan. Trump poderia então reivindicar um mandato eleitoral renovado e levar adiante sua agenda doméstica e externa com apoio contínuo do Congresso. Os primeiros sinais seriam a reeleição dos senadores Ashley Moody, da Flórida, e Jon Husted, de Ohio, e a manutenção de deputados republicanos na Pensilvânia e na Virgínia.
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