25 anos do 11 de Setembro: a agonia dos parentes das vítimas, que até hoje aguardam julgamento do 'cérebro' dos atentados
O governo dos Estados Unidos classifica o 11 de Setembro como o mais grave ato criminoso ocorrido em solo americano na história moderna. Passados 25 anos, porém, o julgamento do suposto cérebro dos atentados ainda não começou, e as famílias das vítimas temem que o tempo para se fazer justiça esteja se esgotando.
Naquele dia, sequestradores lançaram dois aviões contra o World Trade Center, em Nova York, e outro contra o Pentágono, na Virgínia. Um quarto avião caiu em campo aberto na Pensilvânia, após a resistência dos passageiros a bordo. Quase 3 mil pessoas morreram. Entre elas estavam John Resta e sua esposa Sylvia, que estava grávida de sete meses. Ambos trabalhavam como operadores financeiros no 92º andar da Torre Norte. Seu irmão, Tom Resta, declarou à BBC que, mesmo após tanto tempo, ainda tem "um nó na garganta" e que o 11 de Setembro permanece em sua mente de forma quase constante.
Resta viajou quatro vezes à base naval americana de Guantánamo, no sudeste de Cuba, para acompanhar as audiências preliminares do julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, apontado como o idealizador dos ataques, e dos demais acusados. Ele descreve o processo como "árduo e tedioso". Mohammed está detido há 20 anos sem nunca ter sido condenado, e o processo que antecede o julgamento já foi presidido por cinco juízes militares diferentes. No mês passado, a data do julgamento foi marcada para junho de 2028, mas Resta diz estar preparado para novos atrasos. Ele relata que seu pai completará 98 anos em novembro e que não acredita que ele viva o suficiente para ver o julgamento, preocupação compartilhada por outros familiares.
Stephan Gerhardt, que fez neste ano sua sexta viagem a Guantánamo, afirma que sua maior preocupação é que Mohammed e seus supostos cúmplices morram sem serem condenados. "Capturamos estas pessoas, mas nunca chegamos a julgá-las, nem condená-las pelo assassinato em massa dos nossos entes queridos", disse. Mohammed foi acusado de crimes como conspiração e assassinato, e a ata de acusação menciona 2.976 vítimas. Dias após a definição da data do julgamento, o juiz militar desconsiderou as confissões que ele fez a agentes do FBI em Guantánamo, após ser transferido de prisões secretas da CIA. Na decisão, o juiz descreveu o tratamento dado pela CIA a Mohammed como "extraordinário abuso físico e mental" e determinou que as confissões não foram voluntárias.
Especialistas apontam a tortura como a principal causa dos prolongados atrasos do caso. A professora de direito internacional Kasey McCall-Smith, da Universidade de Edimburgo, afirma que todos os aspectos do processo foram litigados em torno da questão da tortura, e que os acusados foram submetidos a anos de abusos, incluindo afogamento simulado e posições de estresse. Para Gerhardt, se os acusados não tivessem sido torturados, as implicações legais teriam sido muito mais simples e eles provavelmente já teriam sido condenados à morte há muito tempo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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