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13 eleitos em 2026 que aparecem em registros ligados a Daniel Vorcaro

Por Ivan Marra
Atualizado em 07/10/2026 às 08:35 schedule 4 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Treze políticos eleitos nas eleições de 2026 aparecem em documentos, registros de viagens, negócios, articulações políticas ou outros registros relacionados ao Banco Master ou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A lista reúne situações de naturezas diferentes: há políticos citados diretamente em relatórios da Polícia Federal, nomes que aparecem em documentos apreendidos e parlamentares que mantiveram contato ou participaram de viagens e encontros com Vorcaro e agentes públicos envolvidos em decisões relacionadas ao banco.

Um dos casos mais diretos é o do senador reeleito Jaques Wagner (PT-BA). A PF identificou 74 ligações entre o petista e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master. As conversas, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025, somaram cerca de cinco horas e meia. A relação entre Wagner e Lima começou antes da sociedade do empresário com Vorcaro: em 2018, quando Wagner ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Lima arrematou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal responsável pela rede Cesta do Povo, durante o governo de Rui Costa (PT).

A partir da aquisição, Lima estruturou o Credcesta, cartão de crédito consignado voltado aos servidores públicos estaduais. O governo baiano permitiu que o Credcesta oferecesse empréstimos consignados a cerca de 400 mil servidores, pensionistas e aposentados, com exclusividade de operação por 15 anos e juros próximos de 5% ao mês. Em 2019, Lima levou o Credcesta para o então Banco Voiter e, em 2020, tornou-se sócio de Vorcaro no Master. Os relatórios da PF apontaram ainda quatro frentes em que a atuação de Wagner teria coincidido com interesses do grupo Master: ampliação do crédito consignado, mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), negociações para a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) e regulamentação do mercado de créditos de carbono.

Um dos episódios envolve a chamada “emenda Master”, relacionada à PEC 65/2023. Segundo a PF, Augusto Lima encaminhou a Wagner documentos sobre a proposta depois de reuniões no gabinete do senador. O interesse do banco estaria relacionado a uma emenda que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC. Mensagens analisadas pelos investigadores mostram Vorcaro avaliando que a medida poderia ampliar significativamente os negócios do banco. A investigação também encontrou registros de aeronaves utilizadas por Wagner, tratativas sobre um apartamento de aproximadamente R$ 2,45 milhões em Salvador e transferências para uma empresa ligada à família do senador. A PF avalia esses elementos no contexto de uma possível troca de vantagens econômicas por atuação política. Wagner negou irregularidades. A defesa afirma que o senador prestou os esclarecimentos necessários e contesta as conclusões da investigação. Após a divulgação dos documentos, ele deixou a liderança do governo Lula no Senado.

O senador eleito Rui Costa (PT-BA) aparece no caso principalmente pela origem do Credcesta e pelas decisões administrativas tomadas durante seu período como governador da Bahia. A privatização da Ebal ocorreu em 2018, durante a sua gestão. Augusto Ferreira Lima arrematou a estatal por cerca de R$ 15 milhões e assumiu seus passivos. A partir da aquisição, transformou o cartão ligado à Cesta do Povo em uma operação de crédito consignado, que acabou integrado aos negócios que aproximaram Lima do Banco Master. Outro ponto investigado envolve um decreto assinado por Rui Costa em janeiro de 2022, que restringiu as possibilidades de portabilidade dos empréstimos consignados do Credcesta.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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