Votação de escala 6×1 repete tática de Dilma, diz ex-juiz de Direito
O programa Última Análise, da Gazeta do Povo, discutiu nesta terça-feira (13) a negociação entre o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), em torno do projeto de reeleição do petista. Segundo os convidados, a reaproximação entre os dois envolve uma barganha: de um lado, Alcolumbre se compromete a votar o fim da escala 6x1; de outro, Lula se compromete a indicar o ex-senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o jurista Frederico Junkert, a indicação de Pacheco, apontado como afinado à ala da esquerda da Corte, poderia ajudar a reequilibrar a correlação de forças no STF, ao menos por enquanto, em um momento de pressão da política sobre o tribunal. Já o ex-juiz de Direito Adriano Soares da Costa observa que Pacheco já ocupa um cargo no Tribunal de Contas da União (TCU) e precisará obter um número de votos que provavelmente não terá, arriscando passar pela mesma dificuldade enfrentada por Jorge Messias.
Votação da escala 6x1
A articulação do governo no Senado conseguiu reunir, nesta terça-feira (13), a quantidade necessária de assinaturas para encurtar o rito de tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1. Com isso, a expectativa é de que a votação em primeiro e segundo turno ocorra nesta quarta-feira (14), logo após a quinta sessão de análise do texto.
Soares da Costa critica a estratégia do governo e compara o movimento à tática adotada por Dilma Rousseff em 2014. Segundo ele, Lula apela ao populismo ao alterar as regras do mercado de trabalho sem estudo de impacto, e afirma que os estudos mostram que a política trará mais desemprego. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, anunciou que votará a favor da PEC, mas pediu um debate mais amplo sobre a organização das jornadas, os custos para as empresas e a compensação financeira do governo federal. Para Soares da Costa, a negociação foi uma forma de constranger Flávio, e o petista tentará usar o discurso de que o senador só votou por causa dele, o que o jurista classifica como evidente abuso de poder político no sistema eleitoral.
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