Vaticano: encontro sobre saúde mental e acompanhamento pastoral em crises humanitárias
O Vaticano sediou um encontro dedicado à saúde mental e ao acompanhamento pastoral em contextos de crises humanitárias. A iniciativa contou com a participação do psicólogo brasileiro Márcio Galiatto, que falou à Rádio Vaticano sobre os desdobramentos do projeto.
Segundo Galiatto, o encontro é resultado de cerca de dois anos de escuta e discernimento em nível global. A demanda partiu de diversos contextos ao redor do mundo, nos quais foi solicitada orientação sobre como cuidar de pessoas e comunidades afetadas por crises humanitárias — cenários em que o sofrimento se manifesta por meio de diferentes fases, formas de violência e rupturas intensas e inesperadas.
A resposta a essa realidade se traduziu em um documento recém-lançado, que devolve o que foi escutado e o traduz em orientações para o acompanhamento pastoral no campo da saúde mental. O projeto é uma realização do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, com patrocínio da Universidade Católica Portuguesa e do Instituto dos Scalabrinianos, com envolvimento da Igreja.
De acordo com o psicólogo, o subtítulo do documento enfatiza o acompanhamento dentro de um espírito de fraternidade, que constitui o eixo central da obra. Mais do que propor um tratamento psicológico estrito — o que incorreria em reducionismo —, a abordagem coloca a fraternidade no centro, como experiência humanizante diante de realidades desumanizadoras.
O documento se desdobra em nove caminhos para a ação pastoral, que refletem experiências de variados contextos, culturas e sociedades. Entre as direções apontadas estão a criação de espaços de confiança e segurança; a escuta e o acompanhamento empático; o reforço da ligação à comunidade e ao sentimento de pertencimento; a reconstrução de sentido e o estímulo à esperança; o reconhecimento e o cultivo da resiliência; o cuidado com competência e discernimento; o acompanhamento específico a pessoas atingidas por graves distúrbios mentais e a suas famílias, muitas vezes deixadas sozinhas; e a promoção do apoio recíproco entre os diferentes agentes.
Galiatto destacou que a iniciativa propõe uma abordagem que vai além da mera presença, exigindo compromisso efetivo na sustentação e na participação ativa junto daqueles que enfrentam crises severas e prolongadas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar