Varejistas de Santa Catarina superam média nacional e faturam bilhões
Treze empresas de Santa Catarina ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão em faturamento em 2025, em um cenário de expansão acelerada do varejo estadual enquanto grandes redes nacionais enfrentam crises e recuperações judiciais em 2026. O desempenho é impulsionado pelo crescimento populacional, pelo pleno emprego e por um modelo de negócio baseado em financiamento próprio e aquisições estratégicas.
A Havan lidera o ranking estadual e ocupa a 14ª posição no país, com R$ 18,3 bilhões em vendas em 2025 — alta de 16%, oito vezes acima da média do segmento. Na sequência aparecem o Grupo Pereira, dono do Fort Atacadista, com R$ 17,5 bilhões, e o Grupo Koch, com R$ 12,9 bilhões. O Koch cresceu quase três vezes mais que a média das 300 maiores varejistas brasileiras. Redes como Koerich, Giassi e Angeloni também registraram altas expressivas.
Os pilares do crescimento
Especialistas apontam três fatores principais para o desempenho superior do estado. A população catarinense cresce o dobro da média nacional, sobretudo no litoral e no Vale do Itajaí, sustentando a demanda. A renda média no estado é 20% superior à do país, o que mantém o consumo aquecido. O terceiro pilar é a consolidação de mercado, com grandes redes incorporando marcas regionais menores. Para Luciano Hang, da Havan, o pleno emprego e a segurança pública também dão tranquilidade às famílias para irem às compras.
Financiamento próprio reduz dependência de juros
O diferencial competitivo está na estratégia de crédito. Em vez de depender do crédito bancário caro, redes como a Havan financiam o próprio cliente por meio de cartões da loja, que respondem por metade das vendas. O modelo reduz a exposição às taxas de juros flutuantes e preserva o poder de compra do consumidor. Muitas dessas empresas operam com baixo endividamento bancário, o que garante estabilidade em períodos turbulentos, e o formato de atacarejo ajuda a manter o fluxo em setores essenciais, como o de alimentação.
Desafios à frente
Apesar do otimismo, há sinais de alerta. Empresários veem a concorrência de plataformas estrangeiras de e-commerce como ameaça à indústria nacional por causa de isenções tributárias. No plano local, o crescimento físico encontra limites estruturais, com redes disputando os mesmos bairros já densamente povoados. Dados recentes mostram leve desaceleração da atividade econômica estadual, e o custo de vida elevado pode começar a pesar. A continuidade do sucesso dependerá do equilíbrio entre o aumento da migração, a pressão dos juros e a evolução da renda das famílias.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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