Um encontro que atrai e fascina
O Dicastério para a Doutrina da Fé divulgou nesta quinta-feira, 22 de outubro, o documento “Vinde a Mim. Considerações sobre a transmissão da fé em uma mudança de época”, que reflete sobre como anunciar o Evangelho no contexto atual e pretende oferecer material de reflexão pastoral para que cada Igreja local busque novos caminhos de transmissão da fé.
Em editorial publicado pelo Vatican News, Andrea Tornielli recorda que a preocupação com a perda de força do anúncio cristão nas terras de antiga evangelização não é recente. Segundo ele, a necessidade de falar novas linguagens para apresentar a fé está na base do Concílio Ecumênico Vaticano II, nascido da intuição de João XXIII e levado a bom termo por Paulo VI. Na Ecclesiam suam, Paulo VI explicou que a Igreja se aproxima do mundo contemporâneo tornando-se “palavra, mensagem, colóquio”, na convicção de que o Evangelho deve ser oferecido por meio de uma relação de escuta e de encontro.
O texto cita palavras de Bento XVI proferidas em Fátima, em 13 de maio de 2010. Na ocasião, o então Papa afirmou que, quando a fé católica já não é percebida como patrimônio comum da sociedade, será muito difícil que ela toque os corações apenas por meio de discursos ou apelos morais. O que fascina, disse Bento XVI, é sobretudo o encontro com pessoas crentes que, por meio de sua fé, atraem para a graça de Cristo e dão testemunho d’Ele.
De acordo com o editorial, o documento do Dicastério observa que o momento histórico é marcado pela “soberania do eu”, pelo desmoronamento progressivo das relações interpessoais e pela mediação do mundo digital, que altera a forma como as pessoas se relacionam. A resposta indicada no texto, também presente no Magistério dos últimos Sucessores de Pedro, é voltar ao kerygma, ou seja, ao anúncio do essencial da fé, na consciência de que as referências aos valores morais e os apelos aos princípios cristãos não podem pressupor dispensado o que vem antes: o encontro com Cristo.
O editorial sustenta que, para transmitir a fé hoje, não basta ensinar um conjunto de conteúdos doutrinários, como ocorria quando o Evangelho era vivenciado diariamente na família e na sociedade, nem confiar essa transmissão ao marketing ou a estratégias pastorais elaboradas em teoria. Em um mundo em que todos falam e quase ninguém escuta, são necessárias testemunhas que revelem a beleza da vida cristã e comunidades vivas, que introduzam crianças e adultos à experiência de fé. O anúncio deve valorizar mais a liturgia, a piedade popular, a arte e a música, apresentando uma mensagem evangélica feita de proximidade e acolhimento.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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