TSE não acha fake news no canal de Janones, mas registra mensagens apagadas
Um relatório técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não localizou no canal de WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), as informações denunciadas como falsas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O documento, no entanto, registra que mensagens foram apagadas e que isso dificultou a reconstrução do histórico de publicações.
Segundo o relatório, a análise se limitou ao conteúdo disponível entre 2 e 11 de outubro. Ficaram de fora as publicações de setembro citadas no processo, algumas já apagadas. Por causa da urgência, a equipe também não analisou integralmente vídeos e áudios que não haviam sido transcritos. O documento não aponta quem apagou as mensagens nem conclui que o conteúdo removido era falso.
O texto registra que mensagens de 25 a 29 de setembro foram apagadas a partir de 7 de outubro, e que outras 81 desapareceram antes que seu conteúdo pudesse ser lido. Os técnicos explicam que a reconstrução completa e confiável do histórico depende dos registros guardados pelo WhatsApp.
O canal "Exército do Lula" mobiliza apoiadores da reeleição do presidente, com vídeos, áudios e tarefas de divulgação nas redes. A campanha de Flávio pediu sua suspensão sob acusação de espalhar informações falsas contra o candidato. Em nota divulgada no domingo (11), a campanha acusou o canal de difundir informações falsas sobre cortes em aposentadorias e benefícios sociais, ligação do candidato com milícias e a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A campanha afirmou ainda que as mensagens eram apagadas depois que a tarefa de divulgação era cumprida e que guardou cópias dessas publicações.
Os técnicos também identificaram que o canal funcionava de forma centralizada e coordenada, com orientações para espalhar os conteúdos. Em um dos exemplos, os seguidores eram orientados a curtir, comentar e compartilhar uma publicação "antes mesmo de assistir", para sinalizar ao algoritmo que o conteúdo era relevante. O relatório aponta ainda o uso de linguagem polarizadora e o risco de disseminação rápida das mensagens em um canal que tinha cerca de 3,3 milhões de seguidores em 11 de outubro.
O relatório foi produzido pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, a pedido do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão do canal no domingo, atendendo à campanha de Flávio. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, desfez a decisão e o canal voltou a funcionar. Segue proibido divulgar conteúdos que a Justiça Eleitoral já tenha considerado ilícitos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar