Trump aposta em acordo com Cuba e diz que ação militar não deve ser necessária
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (27) que acredita ser possível alcançar um acordo com Cuba e indicou que, na avaliação dele, Washington não precisará recorrer às Forças Armadas contra o regime cubano. A declaração foi dada a jornalistas na Casa Branca.
"Eu diria que Cuba e nós faremos um acordo. Não acredito que precisaremos dos militares", disse Trump, segundo relato do encontro. O presidente acrescentou que pretende "ajudar Cuba" e defendeu uma abertura do país, mencionando inclusive cubano-americanos interessados em retornar à ilha.
A fala ocorre em um momento de forte pressão dos Estados Unidos sobre Havana e após novas informações sobre preparativos militares americanos na região. A CBS News revelou que a Reserva do Exército dos EUA analisa a possibilidade de disponibilizar ao Comando Sul, dentro de um período de 90 a 120 dias, diferentes tipos de unidades de apoio — entre elas efetivos de polícia militar, equipes médicas, engenheiros e estruturas especializadas em logística e atendimento de emergência.
O documento interno obtido pela emissora não menciona Cuba diretamente nem representa uma ordem de mobilização de tropas. Autoridades americanas ouvidas pela CBS, porém, relacionaram o planejamento às opções que vêm sendo avaliadas para a ilha. O Comando Sul afirmou que realiza continuamente avaliações sobre possíveis necessidades operacionais dentro de sua área de responsabilidade e evitou comentar cenários específicos. Em julho, a própria CBS já havia informado que integrantes do alto escalão da Defesa estudavam diferentes possibilidades de operação em Cuba, sem que isso significasse autorização de um ataque.
A pressão sobre Havana aumentou depois da operação americana que capturou Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro. A queda do governo venezuelano atingiu Cuba também pelo setor energético, já que Caracas era historicamente um de seus principais fornecedores de petróleo. A redução dos embarques, somada às restrições impostas por Washington, aprofundou a escassez de combustível e os problemas no sistema elétrico cubano. Em agosto, a ilha voltou a enfrentar um apagão nacional.
Em 17 de setembro, Washington anunciou restrições contra 11 entidades e autoridades cubanas, incluindo empresas vinculadas à exploração de níquel e ao setor militar. Havana responsabiliza as medidas americanas pelo agravamento das dificuldades econômicas enfrentadas pela população. Na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro, Trump classificou Cuba como um "Estado fracassado" e afirmou que a liberdade chegaria à ilha; a delegação cubana deixou o plenário durante o pronunciamento.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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