TRE vai confirmar neste sábado a vitória de Ruas ao governo do Rio de Janeiro
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) deve confirmar neste sábado (10) a vitória de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro no primeiro turno. A definição ocorre após quase uma semana de indefinição e foi viabilizada pela anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos), que abriu caminho para encerrar a disputa.
O adversário derrotado, Eduardo Paes (PSD), já reconheceu o resultado. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de excluir os 274.411 votos de Garotinho alterou a base de cálculo da eleição. Na apuração inicial, Ruas obteve 4.271.199 votos, ou 49,27% dos válidos, contra 3.706.984 de Paes, equivalentes a 42,76% — diferença superior a 564 mil votos. Como nenhum candidato superou a metade dos votos válidos naquele momento, havia perspectiva de segundo turno.
Com a retotalização, nenhum voto é transferido: muda apenas o total sobre o qual se calcula a maioria necessária. Ruas passa a 50,88% e Paes, a 44,16%. Garotinho disputou com a candidatura sob questionamento judicial, após ter o registro negado por questões de elegibilidade relacionadas a uma condenação por improbidade administrativa. Na quinta-feira (8), o TSE decidiu, por cinco votos a dois, anular sua votação e realizar a retotalização.
Paes tentou suspender a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o ministro Cristiano Zanin rejeitou o pedido, pois ainda não haviam sido esgotadas as possibilidades de recurso no próprio TSE. Ao reconhecer o encerramento da disputa, Paes afirmou que respeitaria a decisão judicial e anunciou que seu grupo político fiscalizará o futuro governo.
O desfecho consolida uma derrota que ultrapassa questões judiciais. Paes tentou preservar sua candidatura da polarização presidencial, mas não conseguiu neutralizar o desgaste de sua associação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O próprio ex-prefeito do Rio atribuiu a vantagem de Ruas à influência da campanha presidencial e à estratégia de “voto casado”. Embora apoiasse formalmente Lula, Paes evitou manifestações públicas em favor do presidente por receio da rejeição ao petista no estado, e chegou a dizer que não seria um “vassalo do presidente”. A nacionalização defendida por Ruas contribuiu decisivamente para o revés do favoritismo de Paes.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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