'Terapia me ajudou a lembrar dos abusos que sofri do meu meio-irmão e levá-lo à Justiça'
Mellissa Arkwright, de 35 anos, não conseguia se lembrar dos abusos sexuais que sofreu na infância. A memória só foi recuperada após ela se submeter a um tipo específico de terapia, a dessensibilização e reprocessamento por meio dos movimentos oculares (EMDR, na sigla em inglês). O procedimento, que usa estímulos como sons e luzes intermitentes para ajudar o paciente a acessar eventos traumáticos, foi decisivo para a condenação do agressor.
Ela e a irmã, Nikita Dallison, de 36 anos, foram vítimas do meio-irmão Adrian Austin, hoje com 45 anos, entre 1997 e 2001, quando tinham seis e sete anos. Dallison sempre se lembrou do que aconteceu, mas Arkwright só buscou a terapia depois que a irmã denunciou o caso à polícia, em 2021. "Eu precisava da terapia porque minha saúde mental havia se desmoronado por completo... mas nunca entendi por quê", contou Arkwright.
Durante o tratamento, ela recuperou uma recordação específica que se tornou peça-chave nas investigações. A polícia da região metropolitana de Manchester afirmou que o testemunho dela foi essencial para o caso. Austin foi preso em julho e condenado a 17 anos de prisão por seis acusações de estupro, quatro de agressão sexual e uma de atos indecentes contra menor.
As irmãs abriram mão do anonimato, direito garantido a vítimas de crimes sexuais no Reino Unido, para contar sua história. A investigação revelou ainda que a polícia havia ouvido Mellissa em 1997, mas o caso não avançou. A conversa foi gravada em vídeo e encontrada em uma fita VHS em um armazém policial, sendo usada como prova no julgamento. A polícia reconheceu as falhas na investigação original e pediu desculpas às vítimas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar