'Tenho uma doença da qual as pessoas têm muita vergonha de falar'
Monica Thomas começou a sentir coceira e dor na região íntima ainda na adolescência. Apesar das inúmeras idas ao médico, os sintomas foram tratados como candidíase. As feridas e bolhas evoluíram para uma dor constante, e ela chegou a ficar acamada por não conseguir andar. Segundo Monica, foram 28 exames em seis meses até que os médicos oferecessem uma biópsia. Aos 34 anos, a moradora de Suffolk, na Inglaterra, recebeu o diagnóstico de líquen escleroso.
A condição inflamatória crônica afeta os genitais e pode provocar manchas brancas acompanhadas de coceira, dor e fissuras na pele, explica a médica Nighat Arif, especializada em saúde da mulher. A doença atinge homens e mulheres, mas é mais comum em mulheres com mais de 50 anos, e há um pequeno risco de desenvolvimento de câncer de vulva. Não é contagiosa, embora possa ser confundida com doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, a causa é desconhecida e pode estar ligada a um ataque equivocado do sistema imunológico à pele.
Uma análise da Universidade de Bristol com pessoas das regiões de West Midlands e Warwickshire estimou que o líquen escleroso afeta cerca de 1% das mulheres. Para Sophie Rees, que ajudou a conduzir a pesquisa, esse número é quase certamente uma subestimação, diante da demora no diagnóstico. Clare Baumhaeur, de 53 anos, teve os primeiros sintomas aos cinco e recebeu o diagnóstico em 2016, junto com um câncer de vulva. Monica recomenda manter um diário sobre as mudanças do corpo e, se for ignorada, buscar várias opiniões.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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