Somália: fechamento de estruturas de saúde e nutrição agrava crise para crianças
Os cortes sem precedentes na ajuda humanitária estão agravando a crise que atinge crianças na Somália. Segundo dados apresentados pelo UNICEF, 205 unidades de saúde e nutrição já fecharam as portas, interrompendo serviços essenciais de atendimento, alimentação, água, educação e proteção. O impacto é imediato: nos primeiros seis meses deste ano, aumentou em 32% o número de crianças internadas em centros de estabilização com desnutrição aguda grave e complicações, em comparação com o mesmo período do ano passado.
A redução dos serviços também significa maiores distâncias para mães e crianças em busca de atendimento, atrasando o início dos tratamentos e aumentando o risco de agravamento das doenças e de mortes evitáveis. A situação ocorre em meio a uma combinação de fatores que amplia a vulnerabilidade da população: seca severa em regiões do norte, conflitos, deslocamentos forçados e aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes. Além disso, um fenômeno de El Niño de intensidade recorde ameaça provocar graves inundações nos próximos meses.
No setor da saúde, os cortes já provocaram uma redução de 30% na cobertura dos serviços sanitários e nutricionais, enquanto, em um cenário de grave falta de recursos, até 618 unidades de saúde poderiam fechar em todo o país. Na área nutricional, quase um milhão de crianças menores de cinco anos, adolescentes e mulheres correm o risco de perder o acesso aos serviços. A previsão para este ano é de que quase 1,9 milhão de crianças sejam afetadas pela desnutrição, incluindo cerca de 500 mil casos de desnutrição aguda grave.
Os cortes atingem também o acesso à água, à educação e à proteção infantil. Mais de 1,6 milhão de pessoas precisam de água potável, enquanto mais de 800 mil correm o risco de ficar sem produtos básicos de higiene; nas áreas rurais e pastorais, o preço da água chegou a quadruplicar. Na educação, mais de 78 mil estudantes já abandonaram a escola e outros 660 mil estão em risco, após o setor perder 30 milhões de dólares em 2025 e diante da previsão de novos cortes superiores à metade dos recursos em 2026. Na proteção da infância, pelo menos 65 centros e estruturas foram fechados, ameaçando serviços de acompanhamento, apoio psicológico, reunificação familiar e reinserção de crianças anteriormente associadas a grupos armados ou vulneráveis ao recrutamento.
Apesar da crise, o UNICEF destaca que os resultados obtidos demonstram que os investimentos produzem efeitos concretos. Entre 2021 e 2025, a organização apoiou mais de 2,25 milhões de internações de crianças com desnutrição aguda grave, alcançando, em 2025, uma taxa de recuperação de 97,6%. Em 2024, uma campanha de vacinação oral contra a cólera alcançou mais de 885 mil pessoas em áreas de risco. Para a organização, portanto, o problema não é a falta de programas ou parceiros, mas de financiamento. Em um país atingido simultaneamente por conflitos, deslocamentos, mudanças climáticas e pobreza, proteger as crianças não pode ser tratado como uma despesa secundária. Reduzir a ajuda justamente no momento de maior necessidade pode representar, no futuro, um custo ainda maior em recursos, segurança, desenvolvimento perdido e vidas humanas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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