Soldados israelenses são mortos em ataque de supostos atiradores palestinos na Cisjordânia
Dois soldados israelenses foram mortos a tiros por dois supostos atiradores palestinos na Cisjordânia ocupada, segundo informou o Exército de Israel. Outros três israelenses ficaram feridos no ataque, e os suspeitos foram mortos pelas autoridades.
O incidente ocorreu em um posto de controle militar na entrada da cidade de Hebron. Em resposta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou ter ordenado ao Exército que prepare um lockdown completo da Cisjordânia a partir desta sexta-feira (23/10).
Filmagens verificadas pela BBC mostram um intenso tiroteio entre os soldados e os suspeitos. O Exército israelense declarou ter encontrado grande quantidade de munição no veículo dos atiradores e avalia que a intenção era realizar um ataque muito maior na Rota 35, nas proximidades, mas que eles ficaram presos no posto de controle e teriam decidido abrir fogo naquele local. Imagens de circuito fechado não verificadas mostram dois homens saindo de um carro armados com o que parece ser uma pistola e um fuzil de assalto, começando a atirar nos soldados e recebendo disparos de volta.
O ataque ocorreu em um momento de alta tensão, marcado por ações de colonos judeus extremistas contra palestinos durante a colheita anual das oliveiras na Cisjordânia, e a quatro dias das eleições gerais de Israel. Netanyahu construiu sua campanha com base em promessas de segurança e afirmou que seu partido, o Likud, cancelaria os eventos de campanha programados para a manhã desta sexta-feira. O primeiro-ministro também visitou o local do ataque na tarde do mesmo dia, dizendo que Israel está pronto para "ações extensas" na Cisjordânia.
O parceiro da coalizão de extrema direita, Bezalel Smotrich, convocou Israel a lançar uma campanha na Cisjordânia "exatamente igual à de Gaza ou do Líbano". O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, também de extrema direita, pediu que Israel desmantele a Autoridade Palestina. O Exército israelense declarou ter iniciado batidas nas casas dos suspeitos, e Smotrich afirmou ter ordenado a demolição de diversas construções palestinas ao lado do local do ataque. A demolição de casas de palestinos suspeitos de realizar ataques a israelenses é uma prática comum das forças de Israel, e a imposição de lockdown na Cisjordânia para a eleição de segunda e terça-feira (26 e 27/10) já era esperada, segundo a imprensa israelense.
Na quinta-feira (22/10), o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, acusou os líderes da oposição de minarem o governo ao criticar os alertas de Netanyahu sobre um possível ataque antes da eleição, afirmando que os oposicionistas seriam "responsáveis" por eventuais ataques futuros ao país. Líderes da oposição, incluindo o favorito Gadi Eisenkot e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, ofereceram condolências aos feridos e elogiaram os soldados que mataram os suspeitos. Segundo as Nações Unidas, pelo menos 96 palestinos foram mortos por forças militares ou colonos israelenses na Cisjordânia desde o início do ano, e quatro israelenses, civis e militares, foram mortos por palestinos no mesmo período.
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