Senado dos EUA garante autonomia de Trump no comando das operações contra o Irã
O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quinta-feira (26) uma resolução que exigia aprovação prévia do Legislativo para a continuidade das operações militares contra o Irã. Com a decisão, o presidente Donald Trump mantém a autoridade sobre a condução do conflito iniciado em fevereiro, apesar das críticas internas.
A proposta derrotada tinha como objetivo obrigar o presidente a encerrar qualquer operação militar contra o Irã em um prazo determinado, a menos que o Congresso concedesse autorização formal e explícita para a continuidade das hostilidades. Na prática, os parlamentares favoráveis à medida buscavam retomar o poder de declarar guerra, competência que a Constituição americana reserva ao Legislativo, mas que frequentemente entra em choque com a autoridade do presidente como comandante-em-chefe das Forças Armadas — o que lhe permite ordenar ações rápidas sem consulta prévia aos senadores e deputados.
O placar final foi de 50 votos a 49, refletindo uma divisão profunda no cenário político americano. Quatro senadores republicanos votaram contra o presidente e apoiaram a imposição de limites: Susan Collins, Rand Paul, Lisa Murkowski e Thom Tillis. No lado oposto, o democrata John Fetterman foi o único de seu partido a votar a favor de Trump, garantindo a rejeição da proposta. O resultado mostra que, embora Trump tenha vencido, a coesão partidária em torno da estratégia militar começa a apresentar fissuras.
A guerra tem gerado preocupação crescente devido ao aumento no custo de vida nos Estados Unidos. O conflito é apontado como um dos responsáveis pela alta nos preços de alimentos e energia. O preço do diesel chegou a ultrapassar a marca de US$ 6 por galão em algumas regiões, quase o dobro do valor registrado antes do início das hostilidades. Apenas 34% da população aprova as ações militares, e o tema se tornou central nos debates das eleições legislativas marcadas para novembro.
A disputa entre a Casa Branca e o Congresso, no entanto, está longe do fim. A Câmara dos Representantes aprovou recentemente outra resolução, focada na retirada total das forças americanas da região, e o texto ainda deve chegar ao Senado, criando nova oportunidade de desafio à estratégia militar do governo. Há ainda o impasse financeiro: o governo solicitou US$ 87,6 bilhões extras para custear a guerra, valor que depende da aprovação de um Legislativo cada vez mais dividido.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar