Senado dos EUA barra tentativa de limitar Trump na guerra contra o Irã
O Senado dos Estados Unidos rejeitou, por 50 votos a 49, uma resolução que buscava obrigar o presidente Donald Trump a encerrar as operações militares contra o Irã caso não obtivesse autorização expressa do Congresso para prosseguir com a guerra. A votação manteve a condução do conflito sob comando da Casa Branca e representou uma vitória política para Trump em meio ao aumento das divergências dentro do próprio Partido Republicano sobre a duração da guerra e seus custos econômicos.
Quatro senadores republicanos romperam com a maioria da legenda e apoiaram a proposta: Susan Collins, do Maine; Rand Paul, do Kentucky; Lisa Murkowski, do Alasca; e Thom Tillis, da Carolina do Norte. Entre os democratas, John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único a votar contra a resolução. A proposta já havia passado pela Câmara dos Representantes em julho e exigia que Trump encerrasse a participação americana nas hostilidades ou buscasse uma autorização formal do Legislativo.
A Constituição americana reserva ao Congresso o poder de declarar guerra, enquanto o presidente, como comandante-em-chefe, dispõe de autoridade para ordenar determinadas ações militares. A legislação sobre poderes de guerra, criada após a Guerra do Vietnã, determina que o presidente busque respaldo do Congresso dentro de determinados prazos quando emprega forças militares sem uma declaração formal de guerra. Sucessivos governos americanos têm contestado os limites dessa norma.
Embora a resolução tenha sido derrotada, a votação mostrou sinais de desgaste da estratégia de Trump dentro do Partido Republicano. Thom Tillis, que deixará o Senado em janeiro, apoiou pela primeira vez uma resolução destinada a limitar os poderes presidenciais no conflito. Na Câmara, a resistência entre republicanos também aumentou: em votação realizada na semana anterior, sete deputados do partido se juntaram aos democratas para apoiar outra resolução destinada a retirar as forças americanas do conflito.
A votação ocorre a menos de seis semanas das eleições legislativas de 3 de novembro, quando estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado. A guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, tornou-se um dos temas centrais da campanha. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta semana mostrou que apenas 34% dos entrevistados aprovavam os ataques americanos contra o país. O conflito também passou a ser associado ao aumento dos preços de energia e alimentos nos Estados Unidos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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