Santa Sé na OEA: para combater o crime, fortalecer a cooperação entre os Estados
O observador permanente da Santa Sé junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), monsenhor Juan Antonio Cruz Serrano, defendeu que o combate ao crime organizado transnacional exige cooperação e alianças entre os Estados e os diversos atores da sociedade. A proposta é promover “respostas integrais e duradouras” para prevenir e enfrentar essas organizações, com o objetivo de fortalecer “a segurança e o Estado de direito” e proteger “a dignidade de cada pessoa humana”, na construção de “sociedades mais justas, solidárias e pacíficas”.
A declaração foi feita durante a quinta reunião das autoridades nacionais sobre criminalidade organizada transnacional, realizada na quarta-feira, 14 de outubro, em Washington. Segundo monsenhor Cruz Serrano, o tema representa “um dos principais desafios para a segurança e o desenvolvimento integral de nossos povos”, por constituir “um grave atentado à dignidade da pessoa humana e ao bem comum”.
O observador permanente destacou que, por trás dos números e das estatísticas sobre a criminalidade, há “sempre rostos humanos”. Ele citou as vítimas do tráfico de pessoas, os jovens presos nas redes do tráfico de drogas, as famílias deslocadas pela violência e as comunidades privadas das condições necessárias para viver em paz.
Diante disso, monsenhor Cruz Serrano fez um apelo à “centralidade da pessoa humana em toda estratégia de segurança”, tanto na luta “legítima e necessária” contra a criminalidade quanto no uso das novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, que “deve permanecer a serviço da justiça, sob supervisão humana adequada e com as devidas garantias”.
Ele também defendeu uma cooperação internacional eficaz e solidária. Frente a organizações criminosas que “exploram as fronteiras, as diferenças normativas e as novas tecnologias”, considerou “indispensável” fortalecer os mecanismos de cooperação judiciária, policial e financeira, com empenho particular na “luta contra os fluxos financeiros ilícitos”, que permitem a essas organizações “perpetuar suas atividades e ampliar sua influência por meio da corrupção e do enfraquecimento das instituições”.
Por fim, foi ressaltada a importância da prevenção e da proteção dos mais vulneráveis. O observador permanente afirmou que a tecnologia digital criou novas oportunidades para que organizações criminosas explorem menores por meio do cyberbullying, do grooming, da coerção, da chantagem e da produção e divulgação de material de pornografia infantil. Daí a urgência de “desenvolver instrumentos adequados para proteger os menores no ambiente digital” e de formar os jovens para que reconheçam tentativas de manipulação e defendam sua dignidade, em referência ao que disse o Papa Leão XIV na Magnifica Humanitas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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