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Rede "Padres Contra o Genocídio" escrevem a Navy Pillay

Por Celso Rafael
Atualizado em 16/10/2026 às 14:35 schedule 4 min de leitura visibility 15 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A ala africana da rede internacional "Padres Contra o Genocídio" enviou uma carta à juíza Navy Pillay com "as mais calorosas felicitações" pela atribuição do Prêmio Nobel da Paz de 2026. A mensagem foi dirigida em 14 de outubro de 2026.

Na carta, os sacerdotes relatam que a notícia do prêmio foi recebida "como um momento de graça". Eles contam que muitos deles, em paróquias e comunidades, convivem com pessoas que perderam tudo por causa da violência, de guerras e de genocídios, e se perguntavam se o restante do mundo estava ouvindo. Segundo a missiva, a trajetória de Pillay tem sido uma resposta a essa pergunta, por ela ter optado repetidas vezes por ouvir e se posicionar ao lado daqueles que os poderosos prefeririam esquecer, dando nome ao que outros prefeririam deixar sem menção — no Ruanda, em Gaza ou em qualquer outro lugar.

Os religiosos recordam a atuação de Pillay como jovem advogada na África do Sul durante o Apartheid, quando defendia reclusos em uma época em que a própria lei era instrumento de opressão, e sua recusa em desviar o olhar da tortura praticada nas celas. Mencionam ainda o trabalho da juíza no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde ajudou a garantir que os responsáveis pelo genocídio de 1994 fossem responsabilizados e contribuiu para estabelecer, pela primeira vez, que o estupro pode constituir ato de genocídio.

A carta também se refere à comissão liderada por Pillay que, sob grande pressão, concluiu que estava sendo cometido um genocídio contra o povo palestiniano em Gaza. Para os padres, ao longo das décadas o cenário mudou, mas a convicção dela permaneceu inabalável: nenhum povo está fora da proteção da lei e nenhum Estado está acima dela. "É uma alegria especial ver uma de nós ser homenageada desta forma", escrevem, destacando que a luta contra o Apartheid legou ao mundo algo precioso e que a coragem forjada em circunstâncias difíceis pode se tornar luz para outros, mesmo distantes.

A rede, que reúne mais de 2.700 sacerdotes de 68 países, diz-se esperançosa e orante para que o exemplo de Pillay inspire as gerações futuras a dizer a verdade perante o poder, recusar o silêncio diante da injustiça e trabalhar por um mundo em que cada vida humana seja protegida e valorizada. A carta é encerrada com uma citação do profeta Amós: "A justiça corra como água, e o que é reto, como um rio que nunca seca". Os signatários agradecem a Pillay por fazer parte desse fluxo, rezam para que ela continue forte e com boa saúde e se comprometem a dar continuidade, em seus próprios ministérios, ao trabalho de defesa de todas as pessoas contra o genocídio, o apartheid e as atrocidades em massa.

Assinam a carta Dom Jan De Groef, da África do Sul; o padre Kufre Afangide, da Nigéria; o padre Matthew Charlesworth, do Zimbábue; o padre Peter Knox, da África do Sul; o abade Kwaku Kpodzro, do Togo; o padre Michael Lapsley, da África do Sul; o padre Nicholas Makau, do Quênia; o padre Mokesh Morar, da África do Sul; o abade Magloire Nkounga, de Camarões; o padre Peter-John Pearson, da África do Sul; o padre Joseph Sene, do Senegal; o abade Jean-Paul Wasingya Musavuli, da República Democrática do Congo; e o padre Jean-Baptiste Zeke, da República Democrática do Congo.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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