Recursos precisam chegar a povos tradicionais, defende Fundo Brasil
A diretora executiva do Fundo Brasil, Allyne Andrade, defendeu que os recursos destinados a soluções climáticas e adaptação cheguem de forma efetiva a povos indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais. Em entrevista à Agência Brasil, ela afirmou que, embora as grandes rodadas internacionais tratem do financiamento dessas pautas, o dinheiro não alcança quem está mais próximo do território e sofre os efeitos da crise climática.
Advogada, doutora e especialista em Teoria Crítica, Allyne assumiu a diretoria executiva da fundação em maio deste ano. Ela chegou à instituição em 2020, após processo seletivo para o cargo de diretora executiva adjunta. Carioca de Realengo, na Zona Oeste do Rio, e com origem na política de cotas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ela construiu a carreira em paralelo ao ativismo no movimento social antirracista.
Criado pelos ativistas Abdias do Nascimento, Margarida Genevois, Rose Muraro e Dom Pedro Casaldáliga, o Fundo Brasil é uma fundação independente que financia, por meio da filantropia, organizações da sociedade civil protagonizadas por pessoas e comunidades diretamente afetadas por violações de direitos. Segundo Allyne, a instituição atua para suprir lacunas de financiamento, oferecendo não apenas recursos, mas também apoio técnico e programático.
Em 2023, o fundo criou o programa Raízes, linha de justiça climática que direciona apoio financeiro a povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Os recursos são repassados por meio de editais públicos, com seleção feita por comitês externos de especialistas em processos participativos. O programa também conta com aportes emergenciais de resposta rápida para proteger lideranças em territórios ameaçados e para apoiar comunidades em situações de extremos climáticos, como as enchentes no Rio Grande do Sul.
Além da justiça climática, o Fundo Brasil atua em frentes como trabalho digno e combate ao trabalho análogo à escravidão, direitos raciais e enfrentamento ao racismo digital, direitos digitais, defesa de pessoas LGBTQIAPN+, combate à violência de gênero e justiça criminal. A fundação também apoia organizações na incidência no Plano Pena Justa, que busca humanizar o sistema prisional brasileiro. Allyne afirmou que a expectativa é estar mais próxima dos movimentos sociais e pensar uma comunicação estratégica para a defesa da democracia, com direitos humanos reformulados a partir das demandas atuais. Nos 20 anos do fundo, completados em 2026, está prevista uma conferência para reunir ativistas, pesquisadores e iniciativa privada e traçar os próximos passos da filantropia no país.
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