Quem ganhou e quem perdeu no primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro
O primeiro debate presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo (18/10) na Band, foi marcado por ataques mútuos e por um formato considerado "caótico", sobretudo no bloco inicial. A avaliação é de cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil, que se dividem sobre quem teve o melhor desempenho.
No primeiro bloco, cada candidato teve 15 minutos para falar livremente, sem moderação. Na prática, a conversa descambou com frequência para bate-bocas, em vez de um debate de propostas. Para Yuri Sanches, diretor de Análise Política da AtlasIntel, o início foi "nauseante" e não discutiu nenhuma proposta. Lucas Aragão, da Arko Advice, classificou o modelo como "inútil para o eleitor indeciso", por favorecer o ataque e a ironia.
No saldo geral, Sanches e Aragão consideraram que Flávio se saiu melhor ao conseguir pautar os temas do confronto. O senador fustigou o petista sobre as suspeitas que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por tráfico de influência. Lula respondeu que acredita na inocência do filho e que a Polícia Federal investiga livremente em seu governo. O presidente, por sua vez, questionou Flávio sobre os cerca de R$ 134 milhões negociados com Daniel Vorcaro, do Banco Master, para supostamente financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro — caso também alvo de inquérito na PF.
Entre os momentos negativos, os analistas apontaram a fala de Lula que chamou Flávio de "malandro carioca", com potencial de ofender o eleitorado fluminense. Do lado positivo do petista, foi lembrado o desempenho do governo Jair Bolsonaro na pandemia de covid-19, o que forçou um mea culpa do senador. Flávio foi bem ao enfatizar a segurança pública, como no questionamento sobre as "saidinhas", mas foi criticado pela falta de propostas e por fugir de perguntas. Os entrevistados avaliam que o confronto terá pouco impacto na definição do voto e pode até reforçar a abstenção e os votos brancos ou nulos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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