Quem é Navi Pillay, sul-africana que ganhou o Nobel da Paz 2026 e presidiu comissão que apontou genocídio em Gaza
O Prêmio Nobel da Paz de 2026 foi concedido à jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, anunciou o Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo. Ex-Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, ela foi reconhecida por seus "esforços para promover a paz e o direito internacional".
Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana, Pillay cresceu durante o apartheid e se tornou advogada, enfrentando a discriminação estrutural e a segregação. Em 1967, foi a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal. Após o fim da segregação racial, tornou-se a primeira mulher não branca a ser nomeada juíza da Suprema Corte sul-africana. O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, destacou que há "um fio condutor" ligando seu trabalho inicial em defesa de Nelson Mandela e de opositores do apartheid ao seu percurso como juíza em alguns dos principais casos jurídicos internacionais da atualidade.
Pillay presidiu o tribunal internacional sobre o genocídio em Ruanda entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, atuando na corte por oito anos, quatro deles como presidente. Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Mais recentemente, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2021. Em setembro do ano passado, sob sua liderança, a comissão publicou um relatório que concluiu que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza e que autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, haviam incitado esses atos. O governo israelense classificou as acusações como escandalosas. Atualmente, Pillay é juíza da Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio.
Quando o prêmio foi anunciado, Pillay ainda não havia sido informada porque o comitê não conseguiu contato com ela. "Se vir um número norueguês ligando, por favor atenda", brincou Frydnes. Ao saber da notícia, durante uma conferência sobre crimes de guerra no Palácio da Justiça de Nuremberg, na Alemanha, ela disse não acreditar que fosse real: "Deve ser uma piada". Em discurso improvisado, afirmou que o prêmio foi dado por sua coragem, mas questionou: "Por que você precisaria de coragem para falar a verdade?". Além da medalha de ouro, receberá 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que Pillay "encarou a brutalidade da injustiça de frente e jamais desviou o olhar". O atual Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, chamou a premiação de "vitória coletiva para os direitos humanos". A secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, classificou a escolha como "inspiradora".
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