Quanto a província de Alberta gera de riqueza para o Canadá e o que aconteceria se ela conquistasse a independência?
Os moradores de Alberta, província no oeste do Canadá, votam nesta segunda-feira (19/10) em um plebiscito que oferece duas opções: permanecer no país ou autorizar o início do processo de preparação de um referendo sobre a independência em uma data futura. A consulta não é uma escolha direta entre ficar ou sair, mas é apontada como um dos acontecimentos mais significativos da história recente canadense e um teste para a unidade nacional.
No centro do debate está a questão econômica. Alberta abriga o setor de petróleo e gás do Canadá, com reservas estimadas entre as quatro maiores do mundo, e possui o maior PIB per capita do país. O petróleo bruto é o produto de exportação mais lucrativo do Canadá, somando 142 bilhões de dólares canadenses apenas em 2025, com a maior parte vendida a refinarias nos Estados Unidos. A província não recebe pagamentos de equalização desde 1965. Segundo cálculos dos economistas Tegan Hill e Nathaniel Li, do Fraser Institute, a contribuição líquida de Alberta para Ottawa desde 2007 foi de 322 bilhões de dólares canadenses — quase quatro vezes mais do que a da Colúmbia Britânica e mais de quatro vezes a de Ontário.
Os defensores da separação sustentam que a província é prejudicada por integrar o Canadá e que mais riqueza do petróleo e do gás deveria permanecer dentro de suas fronteiras. O Alberta Prosperity Project estima que a província economizaria até 47 bilhões de dólares canadenses por ano ao deixar de pagar impostos federais, mas reconhece custos maiores com defesa nacional e diplomacia, calculados em até 31,6 bilhões anuais. Após as despesas essenciais, o grupo projeta superávit de 24 bilhões a 46 bilhões de dólares canadenses por ano.
Do outro lado, a primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, que se opõe à independência, afirma que a província poderia ter de arcar com cerca de 400 bilhões de dólares canadenses apenas em custos de transição, além de perder bilhões em investimentos e comércio. Um relatório encomendado por seu governo estimou os custos da separação entre 50 bilhões e 170 bilhões de dólares canadenses ao longo de cinco anos. Já um estudo da CanadaWest Foundation projeta dívida adicional de 258 bilhões a 333 bilhões de dólares canadenses e redução média de 5,8% na renda disponível dos moradores.
Pesquisas de opinião indicam que entre 20% e 25% dos habitantes pretendem votar a favor do avanço para um referendo sobre a separação, com apoio mais elevado entre jovens, moradores de áreas rurais e conservadores. O movimento separatista ganhou força nos últimos anos, impulsionado pela resistência política e ambiental a projetos de oleodutos, pela frustração com uma década de governo liberal em Ottawa e pela desconfiança em relação às medidas restritivas adotadas durante a pandemia de covid-19. Uma petição popular pela separação lançada no início deste ano obteve mais de 300 mil assinaturas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar