Proposta de André Lara Resende para reduzir Selic gera alerta sobre inflação
O economista André Lara Resende reacendeu o debate econômico ao sugerir uma redução forçada da taxa Selic por meio de decisão política. A tese, que circula entre alas do governo, defende que o custo dos juros é o real vilão das contas públicas. Resende propõe a criação de um conselho que estabeleceria a meta dos juros entre a meta de inflação e o crescimento potencial da economia, permitindo ao Banco Central anunciar uma redução gradual para cerca de 7,5% ao ano. Para ele, o déficit do governo é baixo quando comparado ao de potências como Estados Unidos e China.
Especialistas do mercado e pesquisadores da FGV IBRE alertam que reduzir juros por decreto ignora a lógica financeira. Quando o governo impõe um teto artificial, investidores tendem a retirar dinheiro do país em busca de moedas mais seguras, o que pressiona o dólar. A queda forçada também estimula o consumo mais rápido do que a capacidade de produção, resultando em descontrole de preços. O exemplo citado é a Turquia, que em 2021 viu a taxa básica cair de 19% para 14% em poucos meses, com o dólar dobrando de valor e a inflação saltando de 19% para mais de 85% em um ano.
Pesquisadores apontam que o patamar alto da Selic reflete o esgotamento de um modelo que estimula o consumo acima da produtividade. Entre 1995 e 2025, o salário mínimo subiu 195% acima da inflação, enquanto a produtividade do trabalhador cresceu apenas 22%. Para os técnicos, o juro alto é o preço da desconfiança do mercado em relação ao futuro das contas públicas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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