Produção de vieiras em Santa Catarina encolhe e preço do molusco dispara
Santa Catarina lidera a produção nacional de moluscos, mas a vieira, espécie mais valorizada do setor, enfrenta um desaparecimento gradual. Mesmo com preços que chegam a R$ 120 a dúzia para o produtor, o cultivo sofre com a alta mortalidade das sementes, exigências ambientais rígidas e a crescente concorrência por espaço marinho com o cultivo de macroalgas, mais simples e rentável.
A sobrevivência da vieira depende quase exclusivamente da qualidade da água, especialmente da salinidade. Se o nível de sal baixar devido a chuvas prolongadas, o cultivo pode morrer inteiramente. O ideal é uma salinidade oceânica alta, mas a maioria das áreas demarcadas no estado fica dentro de baías, onde a água é mais doce. O trabalho é manual e exaustivo, durando cerca de 18 meses, com limpezas periódicas e transferências entre estruturas. Ao final do ciclo, apenas 10% a 15% das sementes sobrevivem para a colheita, perda muito maior que a registrada na criação de ostras.
Especialistas indicam que o futuro da vieira depende de mudanças na política de uso do mar e maior profissionalização. É preciso demarcar novas áreas em regiões com águas mais profundas e salinas, como Bombinhas, além de investimentos para tecnificar a produção e garantir fornecimento estável de sementes, hoje concentrado na universidade.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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