Por que Trump suspendeu várias sanções contra a Rússia em meio a tensões com Ucrânia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bloqueou diversas sanções contra a Rússia dois dias antes de as medidas entrarem em vigor, em meio ao agravamento do impasse com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. As sanções haviam sido aprovadas pelo Congresso americano e transformadas em lei por Trump em setembro.
Na noite de sexta-feira (16/10), o presidente americano emitiu uma ordem executiva afirmando que a suspensão de parte dessas medidas atendia ao "interesse nacional" dos EUA — decisão que provocou reações contrárias de legisladores americanos. A nova lei de sanções tinha como alvo a economia russa e conferia a Trump amplos poderes para impor tarifas de até 100% sobre importações dos cinco maiores compradores de petróleo e gás da Rússia, com destaque para China e Índia. O texto também previa sanções contra autoridades russas de alto escalão, incluindo Putin, contra instituições financeiras do país e contra a chamada "frota fantasma" de Moscou, conjunto de embarcações usado para contornar embargos já existentes.
O representante russo Kirill Dmitriev classificou a suspensão como "um momento importante e verdadeiramente histórico". Em publicação no X, afirmou que as sanções causariam "danos graves", principalmente aos EUA e ao mercado global, e que a cooperação econômica beneficia as duas nações. Já representantes do Partido Democrata, entre eles o congressista pela Virgínia Don Beyer, criticaram a medida e acusaram Trump de capitular diante de Moscou e de virar as costas para Kiev e Zelensky. "A mais recente rendição de Trump a Putin trai, mais uma vez, nossos parceiros ucranianos e desafia a clara intenção do Congresso", escreveu Beyer no X.
Zelensky lamentou que os EUA tenham decidido "ignorar completamente" as sanções. Ele declarou que as medidas "poderiam ter ajudado enormemente" e que a lei "deveria ter exercido uma pressão verdadeiramente eficaz sobre a Rússia para pôr fim a esta guerra". O presidente ucraniano mencionou os ataques russos da noite de sexta para sábado (17/10) contra 15 instalações energéticas do país, que provocaram cortes de energia em várias regiões, e afirmou que Moscou tenta causar um apagão na Ucrânia às vésperas do inverno. Mais tarde, disse a repórteres acreditar que a administração Trump suspenderá mais sanções contra a Rússia, e que negociadores dos dois países conversaram na sexta-feira e poderiam se reunir na semana seguinte.
As relações entre Washington e Kiev se deterioraram após os EUA firmarem um acordo controverso para a importação de diesel russo, em uma tentativa de reduzir os preços de energia nos Estados Unidos. A Ucrânia acusou a administração Trump de retirar um apoio militar fundamental ao país na guerra contra a Rússia. Trump e Zelensky trocaram críticas ácidas nos últimos dias: o ucraniano declarou que era bom estar entre "líderes de verdade" durante uma cúpula da União Europeia, depois de Trump afirmar que Zelensky era "mais difícil de lidar" do que o presidente russo, Vladimir Putin. Autoridades ucranianas informaram que, nas últimas 24 horas, pelo menos nove pessoas morreram e cerca de 60 ficaram feridas em ataques russos no país, incluindo a morte de um motorista de ambulância e ferimentos em outras 20 pessoas na cidade de Kherson.
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