Por que reaproximação da Espanha com China provoca tensões na União Europeia
A Espanha vive um período de aproximação e simpatia mútua com a China, movimento que provoca desconforto entre parceiros da União Europeia. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou o presidente chinês, Xi Jinping, quatro vezes em quatro anos e, desde a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos, defende que todo o bloco melhore suas relações com os chineses.
A iniciativa gerou ressentimento e desaprovação em vários países europeus, que enxergam a China como rival estratégico e possível ameaça geopolítica. Em conversas reservadas, esses parceiros questionam se a postura receptiva do governo espanhol, ao abrir seu mercado às empresas chinesas, também permite que a China se torne um inimigo econômico dentro do bloco.
Alemanha e França, as duas maiores potências da União Europeia, se uniram em defesa de uma postura mais dura em relação a Pequim. Querem dar ao bloco instrumentos para barrar a entrada de concorrentes chineses que recebem subsídios, com o objetivo de conter o crescente desequilíbrio comercial, que, segundo a Comissão Europeia, já chega a € 1 bilhão por dia. Outros países demonstram preocupação com os laços estreitos entre China e Rússia. A China nega ajudar a Rússia na guerra na Ucrânia, mas especialistas em defesa apontam que o apoio tecnológico e econômico chinês tem permitido à Rússia manter sua ofensiva militar.
Para o advogado e acadêmico Victor Cortizo, especializado nas relações entre China e Espanha, o afastamento partiu dos próprios espanhóis, mas por razões legítimas. "A política é também uma questão de pragmatismo. Se a aproximação com a China atrai investimentos chineses e fortalece minha economia, ela é mais interessante do ponto de vista estratégico do que apoiar aliados que também só cuidam dos próprios interesses", afirmou à BBC. Segundo ele, só no último ano o investimento chinês na Espanha dobrou.
Dados da Icex, agência de comércio e investimentos do governo espanhol, indicam que os investimentos chineses no país crescem rapidamente, impulsionados sobretudo pela construção de grandes fábricas de baterias e de automóveis. Os críticos, no entanto, temem que a instalação dessas fábricas em território espanhol enfraqueça o mercado único europeu e faça parte dos esforços de empresas chinesas para produzir dentro da União Europeia e evitar tarifas sobre a importação de veículos elétricos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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