Por que Japão e outros países estão recomendando estocar mantimentos
O Japão inaugurou nesta segunda-feira (2) uma nova agência nacional de gestão de desastres e recomendou que a população mantenha estoques de alimentos e água suficientes para pelo menos três dias — de preferência, uma semana. A orientação se soma a iniciativas semelhantes adotadas por países europeus e pelos Estados Unidos, que vêm reforçando a preparação de suas populações para sinistros que vão de terremotos e apagões a ataques cibernéticos e conflitos militares prolongados.
Segundo o jornal The Japan Times, a nova Agência Nacional de Gestão de Desastres também pediu que os moradores fixem móveis nas paredes, preparem suprimentos de emergência e identifiquem os abrigos mais próximos de casa. Na inauguração do órgão, Goshi Hosono, seu primeiro diretor, afirmou que o governo federal e os governos locais têm capacidade limitada para atender toda a população durante uma "catástrofe de grandes proporções". Por isso, recomendou que os cidadãos adotem medidas preventivas antes que uma emergência aconteça. A principal preocupação das autoridades japonesas é o risco de grandes terremotos, especialmente na região da Fossa de Nankai, zona submarina próxima à costa do Pacífico onde um megaterremoto poderia provocar tsunamis e danos generalizados. A agência, inaugurada pelo governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, tem 352 funcionários e ficará responsável por coordenar prevenção, resposta a emergências e reconstrução.
Na Europa, as recomendações para armazenar suprimentos ganharam força com a deterioração do cenário de segurança do continente após a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Além dos desastres naturais, as autoridades passaram a considerar com mais atenção riscos de conflitos militares prolongados, sabotagens e ataques cibernéticos capazes de interromper serviços essenciais. Em março de 2025, a Comissão Europeia apresentou um plano de preparação para emergências que prevê orientações para que a população se mantenha por ao menos 72 horas sem depender de serviços externos, considerando ameaças militares, tensões geopolíticas, ataques a sistemas digitais e fenômenos climáticos extremos. A preocupação é que uma crise afete ao mesmo tempo o fornecimento de energia, as redes de comunicação, o transporte e a distribuição de alimentos.
A Alemanha recomenda reservas suficientes para até dez dias. Em outubro de 2025, o governo alemão atualizou seu manual de proteção civil e incluiu orientações para situações de guerra, mudança motivada em parte pelas preocupações da população com o conflito na Ucrânia. Na Noruega, as autoridades ampliaram de três para sete dias o período recomendado de "autossuficiência doméstica" em maio de 2024, citando riscos de sabotagem, ataques militares, eventos climáticos extremos e falhas nas redes de comunicação. A Suécia também orienta os moradores a se prepararem para sobreviver por pelo menos uma semana durante uma eventual crise.
No dia 22 de outubro, o Reino Unido lançou a campanha "Be Ready", que orienta as famílias britânicas a manter em casa alimentos não perecíveis, água potável, medicamentos e outros itens para enfrentar possíveis interrupções de serviços essenciais. A iniciativa terá duração de três anos e busca preparar os moradores para enchentes, tempestades, incêndios florestais e apagões, além de ameaças à segurança nacional. Na Bélgica, o Centro Nacional de Crises divulgou em 1º de outubro um novo guia para ajudar os cidadãos a preparar kits de emergência e organizar planos familiares de proteção. Nos Estados Unidos, a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) recomenda há anos que os cidadãos armazenem água e alimentos não perecíveis suficientes para pelo menos três dias, como parte da política de preparação para furacões, enchentes, apagões e outros desastres.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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